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segunda-feira, 29 de julho de 2019

Enquanto fazia o arroz...









Hoje, enquanto fazia o arroz, lembrei-me da minha cidade natal e imaginei a mesma cena só que lá. Veio imediatamente (e como isso foi intenso) uma sensação tão boa, que quase senti o ar úmido de maresia janela adentro, o sol quente e o típico barulho da cidade num dia de semana normal. Inevitável foi recordar em alguns segundos o resumo de toda uma vida entremeada de alegrias e tristezas. Mas a presença de uma dor maior chegou para embaçar todo o brilho que se formava nessa recordação. A morte de uma irmãzinha querida. 

Tendo já saído de onde morei por 23 anos para trabalhar na região do ABC em busca de um salário melhor, percebi que se não o tivesse feito então, seria inevitável fazê-lo quando a maior dor de minha vida chegasse para ceifar a alegria dos meus dias naquela cidade cheia de brilho. Seria meu destino abandonar tudo e mergulhar no desconhecido. O acolhimento da cidade que me viu nascer estava por completo destinado a ser tirado de mim. 

Desde então procuro brincar de faz de conta. Como a criança segura uma boneca em suas mãos e faz de conta que está abraçando sua filhinha, eu vou sempre sentir a falta de um aconchego que me foi recusado para sempre!

De repente senti a dor do emigrante! 

sábado, 27 de julho de 2019

GRATIDÃO, apesar da menor audiência.....

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Tenho este blog desde 2008. Reparei que meus seguidores eram muitos nesse tempo. De uns anos para cá perdi a maioria dos que costumavam mandar comentários sobre o que eu postava. Devo ter ficado menos produtiva com a idade. O entusiasmo arrefeceu, mas a chama continua acesa. As pessoas geralmente gostam de quem mostra fotos e conta sobre experiências dos lugares onde estiveram. Eu parei de viajar, mesmo a lugares perto de São Paulo, em praias aonde ia com frequência e de onde vinha cheia de coloridas experiências. Hoje tudo mudou. Há uma chama acesa dentro de mim que de repente me fez compará-la àquela pequena chama que se vê nos altares das igrejas católicas, e que dizem ser o espírito de Deus sempre presente, porém quase invisível. Minha chama também arde. Só que não sendo Deus, sinto que tenho um pouco dele no meu coração, o que me faz conservar essa pequena chama sempre brilhando e dando graças por ter chegado até aqui com lucidez suficiente para estar de bem com a vida e ser grata a tudo o quanto recebi até hoje! 

sexta-feira, 5 de julho de 2019

TAREFAS DOMÉSTICAS




donald duck sleeping GIF



Faça suas tarefas como quem está filmando um vídeo para postar nas redes sociais.
Fica menos cansativo. Você não imagina a energia extra que surge quando pensa que está sendo filmado/a!

quinta-feira, 4 de julho de 2019

UMA EXPERIÊNCIA

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Sair de si por um tempo e depois voltar.
Acho que é isso que o artista faz.
O artista é um corajoso.

Eu queria ser artista.
Mas falta coragem.

memória imediata x memória remota




Hoje chove após 27 dias de seca em São Paulo. Já que não posso levar as cachorrinhas para o passeio matinal comecei a filosofar sobre o que me vem ao pensamento. Fazer de um simples evento vivido há tempos remotos é o suficiente para uma complicada sequência de cenas que me vêm à memória.

Uma das coisas que constatei nessas viagens de pensamento é que a natureza é caprichosa mas convenhamos, sabe lidar com tudo para nos dar alguma chance de gratidão.

Reparem que com a idade (isso os mais velhos, claro) vamos perdendo a memória imediata (já não sabemos o que viemos fazer no computador assim que ele nos mostra sua tela iluminada; o que viemos fazer na cozinha quando lá chegamos; aonde íamos  assim que pegamos o carro; o que íamos comprar ao chegar no supermercado, etc.), mas lembramos em detalhes certa vez em que aconteceu isso ou aquilo de agradável ou doloroso, ou mesmo coisas comuns em que não estão presentes emoções marcantes. Há espaço no nosso hardware onde ficam arquivos salvos que podemos acessar de repente, dependendo dos caminhos do pensamento.  Ao mesmo tempo há arquivos temporários que somem espontaneamente.

Os computadores são exatamente a cópia (sem alma) do ser humano. A um ponto em que conseguem chegar a resultados mais exatos que nosso cérebro poderia.

Daí eu penso que as emoções são o fator que nos separa da máquina e que suspeito serem as únicas responsáveis pelo sofrimento e prazer das pessoas. 

Há momentos em que, observando minhas cachorrinhas, gostaria de passar um dia inteiro no lugar delas, apenas para saber como sentem a vida.....

sábado, 11 de maio de 2019

BISCOITOS DE POLVILHIO

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      (imagem da internet)





Fui toda animada para a cozinha (isso ainda me anima rsrs) fazer uma nova receita encontrada na internet: biscoitos de polvilho. Gosto de ter alguma coisa à mão enquanto assisto TV, quando vem aquela fome de "não sei o que". E me parece que biscoitos de polvilho sempre caem bem.

Já estou a meio caminho da receita e percebi que vai dar besteira. Vou aguardar para confirmar minha suspeita.

Enquanto o biscoito não fica no pronto comecei a filosofar que sou uma pessoa produtiva, curiosa e sempre querendo inventar coisas novas. Contento-me no campo culinário, já que ocupa grande parte de meu tempo que já anda escasso.... e aí veio-me uma reflexão a respeito de minha natureza inconformada com coisas mal feitas. Quando vislumbro um resultado negativo naquilo em que investi meu tempo e trabalho, logo me ponho a achar que a vida é perfeita porque tem um fim. E começo a fazer filosofia sinistra. Por exemplo: que bom que a morte resolve tudo, você provavelmente não precisa mais ir para a cozinha (que no caso é minha mania...) e ver alguns esforços darem em nada. Até suas paixões vão deixar de ter importância, na morte. Acaba tudo. Olha só que instigante é a morte. Você não tem ideia do apagão que irá acontecer. Se não houver um pingo de memória a ser levada para uma outra vida, acabou tudo....veja só! Acabou-se o que era doce e o que era salgado também!!!

domingo, 14 de abril de 2019

A carta ao pai que nunca foi escrita



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Kafka precisou escrever sua Carta ao Pai para exorcizar os demônios que habitavam sua alma. Vomitou tudo o que havia guardado dentro do coração durante anos. Ao ler sua Carta ao Pai chorei muito e quase vomitei minhas mágoas em relação ao meu pai.Durante anos senti necessidade de escrever minha carta ao pai, mas me faltou coragem. Mais tarde percebi que meu sentimento em relação a ele não era mais de medo e respeito. Era de indiferença.  Vivo as consequências por ter tido um pai carrasco. Não consegui em toda a vida amar um homem sequer. Nunca disse "eu te amo" para nenhum deles. Por que? Porque para amar você precisa confiar. E eu perdi a confiança bem cedo. Ainda criança. Já pressentia um destino rigoroso. Sabia que teria que aprender a me virar sozinha. Não podia contar com ninguém para me proteger. Minha mãe fez o que pôde, mas não pôde o suficiente porque era depressiva. Lutou para sobreviver à doença mental que sempre a perseguiu. Vi-me então buscando forças na metafísica para ver se encontrava meios de viver, nem que fosse na corda bamba. Bem ou mal consegui ir cavando um túnel de proteção durante a infância, adolescência e vida adulta. Hoje, bem idosa, agradeço por ser uma sobrevivente para poder testemunhar uma coisa: nunca é tarde para se encontrar um respiro de paz. Só agora, no fim do caminho, através dos meus filhos, pude conseguir um pouco de alento para a velhice, e na companhia de minhas cachorrinhas posso assegurar que vivo uma existência em que há espaço para uma certa felicidade e muita gratidão. Gratidão em primeiro lugar a meus dois filhos e em segundo lugar a minhas cachorrinhas que são uma companhia preciosa em meus dias atuais. Nunca senti falta de homem. Percebi que não era essa a companhia que iria me fazer feliz. Para ser casada precisaria de uma qualidade que me foi arrebatada em criança: a confiança nos homens. Só confio em meus filhos. Os únicos homens que me fizeram sobreviver!!!

Por isso nunca escrevi minha Carta ao Pai. Não tenho raiva nem o mínimo amor por ele. Pertence ao território da indiferença, do esquecimento.