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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

KAFKA, MEU QUERIDO KAFKA!!!


TRECHOS DO LIVRO KAFKA: PRÓ E CONTRA, , DE GUNTHER ANDERS


PG. 24 – Sua visão do mundo é, até certo ponto, contaminada por esta múltipla condição de não-pertencer ; ora fica no primeiro plano de sua idéia do mundo êste grupo substancial do qual não participa, ora aquêle – ainda que em geral “mundo”signifique o todo daquilo em que êle não está, ou seja, o mundo do poder.

Pg. 30 – Quem não habita o mundo não tem hábitos e entende os costumes como decretos.

Pg. 33 – Quem não sabe a que lugar pertence também não sabe a quem está obrigado.
Quando não se sabe a quem se deve ajuda, não se sabe também por que, de quem e de onde se deveria receber ajuda.

Pg. 37 – A única liberdade com que sonha – tanto faz se o Castelo é um sistema de liberdade ou de falta de liberdade – é ser admitido nele.

Pg. 40 – No mundo de Kafka as fúrias se antecipam ao crime.
Existe a inversão de culpa e a paralização do tempo.
Kafka não se sente preso por dentro, mas por fora.
Kafka pode inverter a sequência de causa e efeito: por exemplo, o romance O Processo, começa com uma acusação, que permanece totalmente vazia, mas que arrasta o acusado para a culpa.
A punição, portanto, se antecipa cronologicamente ao crime.

p. 68 – A linguagem de Kafka é elevada porque é mais sóbria que a linguagem quotidiana.
Sua linguagem permanece num único plano. Seu tom alienante transforma homens e coisas numa espécie de nature morte e impele-as no ar fino de uma “distância”sem aura.

p. 89 – A dúvida constante impede que expresse jamais um pronunciamento em forma real de tese. E por mais absurdo que possa soar: exatamente essa exclusão de um pronunciamento nítido, o eterno “talvez sim, talvez não”dá às suas afirmações a forma desesperada de obras-de-arte. Se tivesse sabido inequivocamente em que direção estava sua saída, teria valido “apenas”como crente, indicador de caminhos ou escritor partidário. Mas uma vez que duvida desesperadamente, uma vez que não “diz qual a sua opinião”(porque não sabe qual é a sua opinião), permanece sempre naquela dimensão de neutralidade, que estamos habituados a considerar como dimensão dos pronunciamentos artísticos – só que nele, essa neutralidade não indica que se tenha recolhido à “torre de marfim”mas que está encerrado numa torre.
A oração de quem, descrente, ora, torna-se poema.

Pg. 95 – Kafka não quer construir o paraíso, mas entrar nele. Não é um teólogo judeu, mas um teólogo da existência judaica.
Êle vê sua condição de judeu – cristamente. É um teólogo cristianizante da existência judaica.

Pg. 99 – A Ausência de natureza em Kafka resulta do fato de que, para êle, o mundo está totalmente – mais: totalitariamente institucionalizado, ou seja, não há mais aquele saldo vacante e inaproveitado que nós costumamos reverenciar ou fruir como “natureza”.

p. 103 – Êle é como um homem que esquia no cascalho, para provar, com cambalhotas e arranhões, àqueles que pretendem que o cascalho é neve, que não se trata, realmente, de outra coisa senão cascalho. Mas aqueles que o viram esquiar no cascalho acreditaram ver sair neve de baixo dos seus esquis. E ele também.
Ele também: nisso reside sua culpa: não estava à altura de sua própria aventura colossalmente irônica.

2 comentários:

Dédalus disse...

Kafka estuvo muy presente en mi primera juventud... Te agradezco que me lo hayas recordado, Sonia.

Beijinhos.

Ricardo Tomás disse...

Foi bom recordar novamente um pouco desse grande génio da literatura de nome Kafka. Bons momentos esses da faculdade, onde pude descobrir Kafka, sendo um entre muitos mestres daquilo que designaria de "condição humana"!
Cumprimentos e bem vinda ao Opinion Shakers!