Sempre gostei de me sentir útil. Nunca poderia imaginar que isso um dia ia ser não uma qualidade, mas uma característica que poderia me trazer aborrecimento.
Publiquei há anos um provérbio chinês que na época me impressionou pela mensagem que passava aos incautos. Sim, era uma advertência para aqueles que só são felizes sendo úteis a alguém ou a algo que beneficie alguém.
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“Na região de Chiang-Shih, no estado de Song, há lindas florestas de plátanos, amoreiras e ciprestes. Acontece que, quando atingem dois ou três palmos de altura, algumas dessas árvores são cortadas para servir de poleiros; das que medem quatro ou cinco palmos, há algumas que são cortadas para fazer estacas e, das que chegam aos sete e oito palmos, muitas são serradas para tábuas de caixões. Assim, nenhuma destas chegou ao termo natural da sua vida, nem pôde desfrutar, do alto do seu cume, a imagem do mundo para a qual tinha sido criada e, a meio do seu destino, caiu sob golpes do machado. Este é o perigo de se ser útil...;”
Ichonang-Tseu
Hoje, passando por um longo período de dor forte devido a três fraturas seguidas, e como consequência tendo, por um longo período,que me abster de fazer quase tudo o que fazia antes, sinto, além da dor, a insatisfação de não poder ser útil no dia a dia.
Mais uma vez recorro ao sábio conselho de Ichonang-Tseu, já que, na reta final da vida, percebo que sempre tive como lema, "ser útil". No entanto agora, revendo minha vida, só posso agradecer por ter feito tudo o que desejei, não me arrependo de nada, e tudo acabou provando que valeu a pena o sacrifício!!!