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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
GRATIDÃO
terça-feira, 23 de novembro de 2021
o dia dos meus anos
ANIVERSÁRIO
ANIVERSÁRIO -
ANIVERSÁRIO
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino.
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa.
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
- 284.sexta-feira, 12 de novembro de 2021
a vida continua...
.....
terça-feira, 26 de outubro de 2021
SERÁ????
(imagem da internet)
Será que a memória é tão importante assim para a vida? Não deveríamos ser como as crianças. sempre? Descobrindo o mundo a cada instante e se maravilhando com cada experiência?
Hoje tive um insight sobre a sensação de a vida ser uma eterna nova descoberta. Mas logo veio a memória e estragou tudo....
segunda-feira, 11 de outubro de 2021
O difícil equilíbrio.
(imagem da internet)
A vida não é gerenciável para o futuro. Queremos dizer que somos gratos por tudo o que recebemos, claro que somos. Queremos pensar que o que decidimos ontem seria a solução ideal para vivermos hoje, mas não é bem assim. O que vamos escolhendo pelo caminho nem sempre é o suficiente para hoje. Fica sempre uma falta, uma frustração. E para não ficar só nas idéias, gosto de exemplificar o que estou dizendo aqui
Hoje é o aniversário de uma prima irmã, por quem tenho uma grande estima. Somos almas que se entendem muito bem. Mora numa cidade do interior do Estado de |Minas Gerais, tem a minha idade, é linda até hoje, ao completar 76 anos. Gosta de decoração e é costureira de alto padrão. Frequenta a alta sociedade de sua cidade, onde a vida é muito tranquila. Seus avós maternos eram ricos e embora ela viva com dinheiro dado pelos filhos que são 3, todos estão bem de vida e a família dela é enorme. Hoje vai receber em sua casa cinematográfica, a familia toda, que por baixo deve ser de mais de cem pessoas, entre filhos, netos, bisnetos, primos, tias, etc.
Falei tudo isso pra dizer que minha vida foi trilhada dentro de uma escolha totalmente diferente. Minha família é minúscula. Tenho apenas uma irmã ( (a outra morreu com 19 anos). Essa irmã que restou sofre de doença mental e nosso relacionamento é aos trancos e barrancos. Tenho dois filhos (muito amados e a razão maior da minha vida). Eles não têm filhos. Só tenho uma neta adotiva, pois o mais velho é casado com uma mulher que já tinha uma filha. O mais novo é solteiro. Meus pais e única tia já faleceram. Então minha família se resume a 5 pessoas, eu incluída. Mas desde jovem optei pela parte cultural. E nunca conseguiria morar numa cidade em que minha prima (essa que faz anos hoje) mora. Lá o acesso ao que eu sempre valorizei é difícil. Mas não impossivel.
Hoje senti falta de uma família grande.
Como diz o filósofo Zigmund Ballmann: não se pode ter os dois: liberdade e segurança. A vida é um equilíbrio entre esses dois fatores. E eu optei mais pela liberdade....
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
coisas que sinto quando acordada
Isso deve acontecer a muita gente, suponho: geralmente me lembro dos sonhos que tive ao acordar . É só fazer um esforço de memória logo ao abrir os olhos. Mas hoje me esqueci do sonho. Só sei que sonhei. E agora, durante o dia, várias vezes me vem um insight apenas da sensação agradável do sonho que tive, não da lembrança do próprio. Que estranho isso! Mas confesso que quando tenho pesadelos e também não me recordo ao acordar, acontece o mesmo. Fica apenas a sensação (dessa vez muito ruim) do pesadelo que tive, não da lembrança do pesadelo em si. Não sei porque, mas acho que é prenúncio do que vou viver numa próxima....
Retificando: não é bem um prenúncio de uma próxima vida, mas é a possibilidade de os sonhos representarem um feitio de vida próxima, assim como nossa vida presente pode bem fazer parte dessa lista de vivências que se sucedem. A vida atual nada mais é que o intermezzo entre o que já vivemos e o que viveremos....



