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domingo, 11 de abril de 2021

atração fatal






Quando era jovem tinha o costume de vez ou outra  consultar uma cartomante. Se o fazia era porque nem tudo estava cor de rosa em matéria de amores. Você já viu alguém consultar uma cartomante quando está feliz da vida, sem algum contratempo maior  que comprometa seus dias?

Talvez pela mesma razão o escritor só se move entre teclados de computadores ou celulares se alguma coisa lhe perturba o espírito. Você já viu algum escritor ter motivação suficiente para escrever um texto enquanto vive um período de paz e relativa felicidade? Eu não conheço um. Se alguém souber de alguém é só deixar um recado no meu blog.

De forma semelhante, a imprensa só dá notícia ruim ou sensacionalista. Ninguém se interessa em saber se está indo tudo bem com as pessoas, e às vezes, quando acontece de reportarem um caso de paz e relativa felicidade em relação a alguém é sempre para arrematar uma história antes muito infeliz ou trágica.

Esta é a natureza dos seres humanos. Atração fatal pelo mal......


quinta-feira, 11 de março de 2021

MUDANÇAS (um assunto conflitante)


                                


Algumas inseguranças a gente vai se dando conta e resolvendo durante a vida. Outras ficam tão soterradas, como certas ruínas e nem que a gente queira se livrar delas não sabe por onde começar pois nem sabe se existem...

Pois bem, só ontem é que me dei conta, ou como dizem, caiu a ficha, sobre uma questão que de tão bem enterrada aparecia em meus sonhos de maneira muito sutil, a ponto de eu não identificar o que era.

Estou de mudança pela enésima vez, só que agora muito ajudada pelo filho mais novo, já que sofri um tombo grave e ando sem poder descer e subir escadas. Aqui no prédio há 24 degraus para encarar e está difícil.

Notei que fico meio ansiosa até a mudança que será em breve e meu filho me pede mais paciência pois cada coisa tem seu ritmo e a burocracia é imensa no Brasil, como sabemos. 

Desde os 8 anos de idade eu fui atormentada com esquemas de mudança de casa.

1) minha mãe pedia às filhas que rezassem para mudarmos logo da casa de minha avó. Eu ficava em conflito, pois adorava minha avó e minha tia. Tinha entre 6 e 8 anos na época.

2) conseguimos ir para um sobrado e lá ficamos por muitos anos, até que meus pais acharam que estava na hora de fazer alguma reforma na casa. Resultado: meu pai alugou uma kitttinete em São Vicente, onde havia só um quartinho. Ele ficava no sobrado e dormia lá. Minha mãe e irmã (ainda não tinha a 2a. irmã) dormiam num quarto minúsculo. Eu dormia no terraço da kittnete onde peguei uma gripe muito forte, rubéola e caxumba (3 vezes). Percebi que o climão era visível entre meus pais e quando voltamos para o sobrado a coisa ficou trágica. Ele já havia arrumado uma amante bem fuleira e minha mãe que já tinha depressão, tentou o suicídio. Eu a salvei em meio a uma plantação de milho perto de casa. Estava desmaiada e eu com 19 anos fui quem a levou de taxi para o pronto socorro. 

3) Meus pais se mudaram para um apartamento em outro bairro e eu a essa altura já estava trabalhando fora. Minha mãe tentou novamente o suicídio e desta vez quem a salvou foi minha tia paterna. Eu fui dirigindo no meu fusca à noite para vê-la, desci a serra com os joelhos batendo um no outro, por nervoso, e ao chegar ao hospital falei uma frase da qual não me arrependo até hoje:" Mãe, na próxima vez veja se faz bem feito."  Estava no último grau de estresse.

4) Morei num pensionato para professoras cuja pensionista nos fornecia "refeições": todos os dias, arroz feijão e bife frito no óleo e na água para amolecer. O molho era feito com tomates que (fui informada) ela pegava no chão da feira.

4) Mudei-me para uma uma sala de escritório no ABC que eu e uma amiga adaptamos para moradia. Tinha um quarto/sala.um mini banheiro e só. Sem cozinha. Comecei a comer sanduíche de bacon com ovos numa lanchonete, o que acabou com meu fígado.

5) Nessa ocasião conheci meu atual ex-marido e me casei 6 meses depois. Fiquei casada por 9 anos, Na separação perdi tudo (casei com separação de bens) e depois disso morei em mais 8 apartamentos. Por vários motivos eu tinha que me mudar, nem vou enumerar aqui.

Hoje aos 75 anos vou fazer a que, espero, seja minha última mudança na Terra. Sofri um tombo feio e não posso mais subir e descer as escadas do apartamento onde moro.

Vou para o 16. andar e espero, se tudo der certo, acabar meus dias lá e se me for permitido ir para o alto, já estarei mais pertinho do céu.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

o conforto de uns lençóis trocados




Só quem já fez uma cirurgia ou esteve internado num hospital sabe o conforto que se sente quando a enfermeira troca os lençóis da nossa cama.

Estou "de molho " há quase um mês por causa de um tombo grave e só há poucos dias começo a andar e fazer pequenas tarefas dentro de casa.

Hoje ao trocar os lençóis da cama senti um conforto grande que me lembrou os tempos de convalescença nos hospitais por onde passei. O cheiro de lençóis limpos lembra gratidão.

Dei graças por estar em casa. E pedi a Deus que abençoe a amiga que costurou os confortáveis lençóis de algodão da foto e a todas as pessoas que levam conforto ao próximo.

domingo, 24 de janeiro de 2021

SONHO 24/1/2021






Forçando a barra um pouco (sofri uma queda feia e ainda estou em recuperação) ensaio alguns voos até meu PC para contar-lhes sobre um sonho, Minhas mais fortes experiências agora são frutos de sonhos, já que a vida social está quase zerada.

Lembro-me que participava de uma ordem de fundo místico onde havia regras muito rígidas a serem cumpridas pelo grupo, que participava das reuniões semanais. Era algo que flutuava entre uma seita religiosa e um grupo de estudos da mente, meio puxado ao esquema luterano ou calvinista, com disciplina sempre observada pelos membros~chefes.Todos nós éramos bem tratados, com privilégios como ótimas refeições de grupo e alojamentos individuais muito confortáveis. Assim iam conquistando uma frequência fiel de homens e mulheres.

Percebi que andava insatisfeita com minha submissão a algo que não fazia minha cabeça. (não costumo me submeter  nem  àquilo que me agrada). Sendo assim contei a uma das supervisoras que estava deixando o grupo.

Imediatamente tudo mudou no ambiente. Apareceu uma porta de saída vigiada por dois guardas e foi impedida minha entrada em meu alojamento por mais de 5 minutos,  tempo de passar a mão em algumas roupas e cair fora.Passei pela sala de refeições e havia uma tela que me separava de uma mesa farta de comidas, lanches e doces apetitosos. Tentei conversar com as pessoas do grupo mas já senti grande indiferença à minha pessoa.

Naquele exato momento percebi que em qualquer situação em que eu me colocasse no futuro para aprender algo que fosse ministrado em alguma associação, fraternidade ou sociedade secreta só me traria desilusões. Minha intuição gritava em minha alma para praticar sempre o esforço individual. Fora isso não haveria salvação!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

um abraço aos meus contatos do blog





Vivo agora um momento de saudade de pessoas que nunca conheci pessoalmente, mas são seguidoras do meu blog. São vinte. 

A todas elas quero mandar um abraço. Cliquei nos quadradinhos onde vejo o rosto da maioria, mas pretendo fazer uma visita no blog de cada um caso haja meios para isso. De alguns ficarei só com a lembrança do nome ou do rosto pois não consigo acessar o perfil.

Nesses dias que logo se transformarão em um ano e logo em alguns anos, (sei lá), ando mesmo precisando de um abraço, já que nem o dos filhos posso ter. Persisto abraçando minhas cachorras, mas falta o diálogo para completar o conforto.

Ando mesmo triste e apreensiva. Só peço que consigamos superar mais este golpe e tenhamos a chance de viver na plenitude que um ser humano merece.

Obrigada pelas visitas de todos vocês. 



sábado, 14 de novembro de 2020

MEMÓRIA (uma postagem sinistra...muito sinistra)







Muito pior que o câncer é o Mal de Alzheimer. No câncer ainda temos memória, ao menos até certo ponto da doença. No Alzheimer é o que perdemos primeiro e com ela perdemos também: noção de quem somos, ou fomos, noção de quem são nossos amores, nossos filhos queridos, nossos pets de estimação, nossos amigos, nosso passado, nossas experiências...então já pouco me importaria de levar um tiro nos miolos. Isso eu digo agora. Se estivesse com a doença não poderia escolher essa opção.

Pensando bem, (e só se pensa com a memória) pouco me importaria viver mais ou menos um dia sequer, se essa sinistra doença tomar conta de mim. 

Experimente se imaginar sem reconhecer as pessoas que você mais ama. 

.....

Por outro lado...ah! sempre há o outro lado. O que mais incomoda e causa sofrimento na vida humana é a consciência do viver. O sofrimento existencial existe porque existe a memória. Você já reparou que as pessoas com Alzheimer têm a fisionomia tranquila? Parecem ter atingido a iluminação. Então tudo o que eu disse acima está errado. Perdoem-me por filosofar longamente, colocando meus erros e acertos. 

De repente penso que o Mal de Alzheimer é uma benção para quem o tem, mas o inferno para os que são ligados afetivamente a essa pessoa. Eles ainda têm memória!!!

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Em resumo: nada é bom ou ruim. Tudo é relativo. Sábio era Einstein que sacou isso antes de muita gente. Humildemente me retiro desta postagem...................

ETERNIDADE

 


Nada é normal para o diabético. A fome, o cansaço e o mal estar são específicos. Têm marca própria.  Antes do diabetes minha fome, cansaço e mal estar tinham características bem diferentes daquelas de agora. De repente comecei a pensar na palavra ETERNIDADE e no seu significado. Num pequeno insight percebi que tudo o que existe nunca vai deixar de existir. Só muda a forma.
A evolução é constante. Isso eu entendo por eternidade. Estamos condenados a não nos livrarmos da vida.