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domingo, 27 de setembro de 2020

reboliço na alma






Hoje está difícil seguir em frente...acordei com um filme de cenas aleatórias da minha vida. Surgiam numa sequência incontrolável. Uma vez li que antes da morte nossa vida passa toda como um filme rápido. Não sei como é isso. Mas ultimamente tenho vivido a experiência de recordações e isso tem sido perturbador. Só me faz chorar de saudade do período que foi bem intenso: os anos 60. Tinha uma convivência difícil mas preciosa com minha mãe. Dela trago as mais intensas lembranças de como compartilhávamos as afinidades intelectuais. (enquanto escrevo não consigo controlar as lágrimas). Oh! Deus! Fazei com que eu consiga encarar o tempo que me resta com tranquilidade de quem já viveu intensamente e ainda guarda esse sentimento de intensidade dentro do coração. Não sei o que será depois do meu tempo aqui. Mas quero agradecer por tudo o que vivi. Peço que seja perdoada por todo o sofrimento que possa ter causado a alguém, porque não foi intencional, mas sei que devo ter sido o inferno de poucos, algumas vezes. 

Essa pandemia mexeu com todo o mundo. Exacerbou as emoções a um ponto em que alguns se suicidam, outros procuram ajuda psiquiatra, outros apenas ficam num estado de apatia que mais parecem zumbis...

O que acontecerá num futuro próximo ninguém pode prever, mas isso nunca pareceu mais desesperador como agora!






terça-feira, 22 de setembro de 2020

um não sei o que....FELIZ PRIMAVERA



                          

                                              FELIZ PRIMAVERA


Há alguma coisa que não chega a se manifestar mas que está me incomodando. Pode até ser o resquício do sonho que tive essa noite passada e que me fugiu da memória 5 minutos depois de ter acordado. Mas não sei se é isso. Há algo me golpeando levemente o coração, como se fosse a pancada de uma patinha de gato. Nem chega a doer.Sei que vai passar. Assim como vão passar vários fatos que ficam a meio caminho de serem compreendidos. Desconfio que há mais mistérios que nunca vamos conhecer nesta vida do que as coisas que podemos decifrar. Será efeito da primavera que acabou de chegar?


domingo, 13 de setembro de 2020

numa só frase, tudo esclarecido.

Pôr Do Sol, Barco À Vela, Barco, Mar

                                                                        ( do site: pixabay..com/pt)

Meio-dia. Hoje acordei tarde por alguns motivos. Um deles é que perco o sono de madrugada e volto a dormir duas horas depois. Estou no computador lendo meus blogs favoritos e me deparei com uma frase que ficou piscando em luz neon. De um blog chamado Profissão: Leitor, de José Pacheco, essa frase resume o que aqui quero dizer.

Não adianta querer mudar o que é parte da nossa bagagem. Bagagem esta que vamos acumulando dentro do barco que segue viagem a um ponto desconhecido, porém almejado.

Podemos ajeitar melhor a bagagem, trocar de lugar algumas roupas, atirar no mar algumas poucas coisas que podem ser úteis aos peixes, mas o comando fica por nossa conta e risco. E não podemos entregá-lo a outrem, já que sairá muito caro entregar nossa tarefa a alguém E não sabemos no que vai dar nossa viagem. Agora vamos à frase do meu amigo de Portugal que resumiu, para mim,em duas palavras, o sentido da vida, dando claramente a entender que não podemos voltar atrás:]estamos embarcados.

domingo, 6 de setembro de 2020

post secrets

                                                                         (my sister´s house)

I love to read Post Secrets. (https://postsecret.com/)   I cannot imagine something like that in Brazil. I mean, with that quality.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

castelo de areia








Dizem que a sabedoria é viver o presente. Há dizeres como : "Isto também passará", "Viva o aqui e agora". Tudo bem, até respeito quem dá esses conselhos. Acredito que seja uma pessoa privilegiada, quem nunca ficou deprimido. Mas também acredito que uma certa falta de expectativa e a lucidez de quem chegou à minha idade e percebe que a vida está chegando ao fim e já não estimula a muitos feitos e pequenas aventuras, deixa muito pouco para quem já foi entusiasmada e cheia de energia, curiosa e ousada em se atirar a muitos interesses e hoje percebe que tudo "faz parte" de um momento psicológico, como se fosse uma droga fornecida pelo divino para suportarmos chegar onde chegamos e aí sim, perceber que tudo é uma ilusão, mas uma ilusão necessária para a sobrevivência do ser humano.

Toda essa constatação não me impede de perguntar por que para cá viemos e para onde vamos. Só desconfio que vamos continuar em algum outro plano de vida. Ou seria desperdício de energia daquele que criou tanta coisa para destruir tudo de repente, como se fosse uma onda traiçoeira destruindo um castelo de areia feito por uma criança inocente na beira do mar...


I

domingo, 16 de agosto de 2020

consequências do confinamento ...página 1


 


Larguei a máscara que tinha acabado de costurar à mão (não gosto de costura) e corri ao computador. Já avisei numa postagem anterior que escrevo para eu mesma. Não pretendo que ninguém tenha paciência de ler ou consiga entender meus textos. 

Vamos lá.... para a solidão não há remédio. Não me iludo com subterfúgios. Não alugo ninguém para suportar-me. Serão duas pessoas insatisfeitas. Eu e o outro. Resolvi tocar esse barco sozinha há 40 anos. Ninguém iria me aguentar. Nem eu a outro ser humano. 

A quem não acredita em outra vida, peço que se faça a pergunta: para onde vai a alma, o espírito de um ser como Fernando Pessoa, Kafka, ou Clarice Lispector? A quem acredita em Deus pergunto: seria Deus medíocre a ponto de criar seres tão intensos para que ao morrer façam....puft....e pronto?

Minha mãe costumava incentivar~me, quando tinha eu uns 18/20 anos, a seguir a carreira de aeromoça ou polícia feminina. Ela achava o máximo. Eu me assustava, pois não nasci para isso. Ao receber um dia em nossa casa a visita de um casal americano, para falar no rádio amador do meu pai, abriu-se a oportunidade para que eu me mudasse para o Alabama (USA) e trabalhasse na Union Carbide. Eu sabia Inglês muito bem e o Jimmy prometeu-me uma vaga de secretária bilingue.  Não tive coragem de deixar minha família. E dizer que eu era feliz em minha casa é mentira. Meu pai era um carrasco. Hoje fico perplexa ao pensar que para minha mãe seria natural me deixar ir....

Minhas tralhas...o que faço com elas, alguém me ajude, por favor. Tenho pavor de morrer e deixar tanta coisa de estimação para que meus filhos decidam que destino dar. Por outro lado, se jogar tudo fora e deixá-los livres dessa incumbência, será que vão gostar?  Será que devo conversar com eles a esse respeito e pedir-lhes que destruam tudo o que não lhes interessar? Sim, acho que essa conversa é necessária.

Estou abrindo sites dos meus escritores favoritos, que são os mais melancólicos. Consola-me muito mais compartilhar meus dramas com os que mergulharam fundo em suas almas, do que encher linguiça com leitura superficial. A vida não é para ser desperdiçada com quinquilharias.

sábado, 15 de agosto de 2020

MASCARADOS



Sábado, dia chuvoso, sem ânimo para quase nada, resolvi fazer máscara protetora do covid-19. 

Enquanto ia costurando a mão um arremedo de máscara, ia me lembrando de um ex-namorado muito espirituoso e já imaginando-o de máscara, comecei a rir de nós dois, e lembrei-me de fazer uma pergunta em pensamento a ele: lembra-se quando "mascarado" era usado como expressão para dizer de uma pessoa falsa, duas caras? A seguir vi a ambos dando boas gargalhadas. 

Então vai aqui uma reflexão: quando, em nossos tempos de namoro, poderíamos imaginar que um dia ambos seríamos também "mascarados" ?