Por que preciso escrever isto? Por que as coisas ficam mais complicadas quando ficamos mais velhos? Claro que muitos irão responder que nossas funções começam a sofrer alterações, caem para um grau inferior e já não podemos acreditar que somos capazes de trocar a tampa de um WC sem drama. Ter que desaparafusar dois pinos que já estavam grudados nas porcas, oxidados e quase impossíveis de serem removidos me fez sentir que quase perdi as impressões digitais do polegar e indicador direitos, de tanta força que fiz com os dedos. Com muito WD40 e um alicate menor emprestado do porteiro do prédio, consegui depois de meia hora, a façanha. Só que meu desespero não terminou aí. A nova tampa era mais complicada de montar do que minha inteligência poderia admitir. Veio com uma peça de plástico preta, comprida, que mais parecia um bumerangue, que não servia para nada como descobri mais tarde. Só não joguei pela janela porque achei que poderia voltar e me acertar a cabeça. Confesso que tive que levar tampa e assento de volta na loja onde comprei e vi que era tudo uma questão de força. Por isso é que para certas coisas só um homem resolve. Eu tenho saudade do tempo em que sem pestanejar pegava na furadeira e providenciava para que os quadros que eu gostava ficassem nos melhores lugares da casa. Hoje não arrisco. Talvez conseguisse, mas prefiro pagar alguém para fazê-lo. Ou deixar as paredes vazias, estilo "clean", que não enjoa nunca...
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terça-feira, 17 de maio de 2016
o quebra-cabeças de uma pessoa de idade avançada...
Por que preciso escrever isto? Por que as coisas ficam mais complicadas quando ficamos mais velhos? Claro que muitos irão responder que nossas funções começam a sofrer alterações, caem para um grau inferior e já não podemos acreditar que somos capazes de trocar a tampa de um WC sem drama. Ter que desaparafusar dois pinos que já estavam grudados nas porcas, oxidados e quase impossíveis de serem removidos me fez sentir que quase perdi as impressões digitais do polegar e indicador direitos, de tanta força que fiz com os dedos. Com muito WD40 e um alicate menor emprestado do porteiro do prédio, consegui depois de meia hora, a façanha. Só que meu desespero não terminou aí. A nova tampa era mais complicada de montar do que minha inteligência poderia admitir. Veio com uma peça de plástico preta, comprida, que mais parecia um bumerangue, que não servia para nada como descobri mais tarde. Só não joguei pela janela porque achei que poderia voltar e me acertar a cabeça. Confesso que tive que levar tampa e assento de volta na loja onde comprei e vi que era tudo uma questão de força. Por isso é que para certas coisas só um homem resolve. Eu tenho saudade do tempo em que sem pestanejar pegava na furadeira e providenciava para que os quadros que eu gostava ficassem nos melhores lugares da casa. Hoje não arrisco. Talvez conseguisse, mas prefiro pagar alguém para fazê-lo. Ou deixar as paredes vazias, estilo "clean", que não enjoa nunca...
quinta-feira, 12 de maio de 2016
O BONDE DA VIDA
A vida corre tão depressa que quando venho ao computador já me esqueci do que queria escrever. De repente, uma necessidade já não é tão importante e até mesmo vai para o território dos sonhos, onde ficam guardadas as lembranças fugazes. Deve haver um lugar onde se escondem todas as lembranças que a memória já não é capaz de conter. Afora alguns insights, tudo o que me escapa não volta mais. Tenho material estocado em algum arquivo inacessível e isso me causa certa ansiedade. Gostaria de recuperar esses arquivos que sinto perdidos para sempre.
Agora mesmo, enquanto escrevo, alguns fiapos de momentos vividos há mais de 40 anos voltam com força suficiente para que eu tenha a certeza de que estavam guardados numa gavetinha que por algum motivo foi aberta e rapidamente fechada. E então minha cachorrinha começa a chorar como criança, tentando me convencer a dar atenção exclusiva a ela.
Viver esses dias com uma sensação de que não há tempo para planejar nada, viver sentindo que só devo me atrever a fazer aquilo que vai trazer um pouco mais de conforto aos meus dias, facilitando uma ou outra coisa aqui e ali no lugar onde moro, para que não pague muito caro com grande esforço físico e ao mesmo tempo tenha um ambiente onde me agrade ficar mais tempo, já que a tendência é aprender a gostar do que está mais perto...eis minha principal ocupação.
Dizem que a velhice é a melhor idade. Quem falou isso estava fora de si. Melhor idade não existe. Na velhice o que podemos é relativizar tudo e assim encontrarmos motivo para não desistir. quando temos saudade da juventude. Verdade é que essa saudade não inclui os dias de sofrimento por coisas que hoje tiramos de letra. Não inclui as angústias que sofremos por falta de habilidade em lidar com nossos sentimentos, fazendo com que funcionem a nosso favor. Queremos absorver tudo, temos pavor de perder o bonde da vida...
Mais tarde vemos que esse bonde continua passando por nós, só que cada vez mais vazio. No final, somos passageiros solitários que temos que aprender a fazer dessa viagem solitária algo interessante. Já não podemos depender de conversas para passar o tempo. O tempo vai ficando cada vez mais precioso, como um vinho raro que tem que ser saboreado em pequenos goles!
segunda-feira, 11 de abril de 2016
SONHO, PERDÃO E LEMBRANÇA...
(imagem da internet)
Sonhei com quem um dia levantou falso testemunho contra mim, prejudicando-me fortemente, numa época em que eu mal tinha forças para me defender.
O mais estranho e inexplicável é que no sonho essa pessoa estava muito amável comigo e eu nem me lembrava mais do mal que ela me fez, a ponto de termos uma conversa amigável.
Será que entre vivos existe algum processo espiritual que funciona a ponto de fazer com que o meu espírito já tenha perdoado essa pessoa? Porque se alguém me perguntar se isso aconteceu a nível consciente, afirmo que não só não perdoei como nunca pretendo. Essa coisa de perdão é muito esquisita. Seria falso eu dizer que perdoo. Porque quem perdoa é Deus, então não cabe a mim essa tarefa. Uma certeza eu tenho: nunca vou esquecer o fato. A não ser que tenha o Mal de Alzheimer. Aí já é outra história....
segunda-feira, 21 de março de 2016
a cestinha de pão e o conto zen
Ontem olhei mais uma vez para minha cesta de pão, de madeira, feita à mão com serrinha manual, por meu falecido avô paterno, a qual venho usando desde o falecimento de minha tia (filha de meu avô). Acontece que estava frágil, os encaixes precisando de um reforço e eu achando que dava pra usar mais um pouco. Até que me lembrei do conto zen (abaixo) e decidi picá-la em pedaços e jogar no lixo reciclável. Fiz isso porque a caixinha de pão virou um problema. (tinha 72 anos)
Conto Zen: Apego
04/03/2011 por Aoi Kuwan
– O primeiro que conseguir resolver o problema que eu vou apresentar assumirá o posto.
Então, numa mesa que estava no centro da sala, colocou um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza. E disse apenas:
– Aqui está o problema!
Todos ficaram a olhar para a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma? De repente, um dos discípulos saca da espada, olha para o mestre, dirige-se para o centro da sala e… Zazzz! Com um só golpe destruiu tudo.
– Você é o novo guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.
Autor Desconhecido
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Injúria
Significado de Injúria
s.f. Ação ou efeito de injuriar.
Jurídico. Ação ou dito ofensivo; em que há insulto, ofensa que prejudica a dignidade de alguém: dano por injúria.
Ação de violar o direito de outra pessoa; injustiça.
Ação ou efeito de estragar ou danificar; dano.
Medicina. Traumatismo causado por um fator (agente ou pressão) externo.
(Etm. do latim: injuria.ae)
Jurídico. Ação ou dito ofensivo; em que há insulto, ofensa que prejudica a dignidade de alguém: dano por injúria.
Ação de violar o direito de outra pessoa; injustiça.
Ação ou efeito de estragar ou danificar; dano.
Medicina. Traumatismo causado por um fator (agente ou pressão) externo.
(Etm. do latim: injuria.ae)
Quando era criança, até os 8 anos de idade morei num certo endereço em uma cidade e tinha vizinhos simpáticos, de quem me lembro vagamente. Havia duas irmãs que eram nossas vizinhas (na época eu tinha uma irmã mais nova que eu 2 1/2 anos) e costumávamos brincar muito.. Uma delas, a mais nova, era da minha idade e tinha um jeito meio estranho de se comportar. Parece que não aceitava o fato de ser mulher. Quando ficou mocinha escondia os mamilos sob a camiseta, colocando um pedaço de papelão para achatar o peito. E nós (eu e minha irmã) loucas para ter seios maiores, que naquela época ainda eram como os de um menino.
O tempo passou, mudamos de casa, e só fui rever as duas irmãs 50 a 55 anos mais tarde. Cada uma com sua vida estabilizada, uma viúva e outra casada, as duas com netos.
O que me leva a essa apresentação toda foi uma frase desferida pela irmã mais nova, quando visitei as duas juntamente com minha tia (hoje falecida). Sem mais nem menos ela disse: "sua mãe era tão fresquinha, não? sempre toda arrumada, não sei pra que isso". Eu fiquei tão perplexa que não consegui abrir a boca e falar alguma coisa. Poderia ter dito que a mãe dela não era "fresquinha", pelo contrário, era bem masculinizada, e que no Carnaval costumava se vestir de homem e sair na rua no bloco dos sujos (como eram chamados os blocos de rua da época). Mas não sei se fiquei num estado de choque, não consegui proferir uma palavra. Logo pedi à minha tia que fôssemos embora, pois comecei a sentir uma opressão no peito.
Está acontecendo uma coisa que eu não queria: a cena me vem à mente várias vezes, quase todas as semanas. Lembrando disso é como se eu tivesse ficado em débito com minha mãe. Precisava ter falado algo e não falei. Mas isso me dói. Estou devendo um ajuste de contas com essa pessoa cruel. Não posso deixar que isso perturbe a minha paz. Sei que não é um sentimento nobre, mas chega de repente a lembrança dela dizendo a frase que disse aquele dia e isso dói.
Sei que estou devendo algo à minha mãe. Não é justo que fique assim.
Peço uma chance de ajustar as coisas. Não quero esse espinho no coração toda a vez que me lembro do insulto recebido sem merecer. Minha mãe não merece ser insultada depois de morta.
Mamãe, te devo essa!!!
domingo, 31 de janeiro de 2016
VOU VIVENDO...
Escritor, no meu entender, é todo aquele que cria uma história. A pessoa já nasce com o dom. Se eu quisesse ser uma escritora (e bem que gostaria) teria que ter o dom. Mas não consigo criar histórias. Porque não me desligo da realidade. Acho a realidade rica demais em conteúdos que já propiciam a escrita. Então devo ter talento para escrevinhadora. Porque não sei ficar sem escrever o que sinto, quando o que sinto vai um pouco além do "arroz e feijão" da vida.
Ultimamente tenho tido insights fortes que me intrigam. Quando ouço alguém dizendo que ao morrermos tudo acaba completamente, puff!...acho instigante. Não sei se nunca passaram por uma experiência "fora da mente" ou como queiram chamar quando, do nada, experimentamos um estado alterado de consciência, sem termos tomado LSD ou qualquer outra substância que o valha.
Já tive a experiência por 2 ou 3 vezes, minha mãe também (e me contou perplexa, mas serena) e até pelo que sabemos de relatos de pessoas, não sei se dá para enxergar que tudo "c'est fini" depois que fechamos os olhos. A mim parece que não faz diferença desaparecer de vez, às vezes até desejo isso, Mas há uma força oculta a me propelir para a vida e isso complica um pouco o desapego.
O mistério é tão grande que ninguém, até hoje, me convenceu de nada definido. Sempre fica uma sombra de dúvida.
Vou vivendo...
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
ESCRAVIDÃO DOS NOSSOS TEMPOS
(imagem da internet)
Gosto de algumas coisas muito, de outras pouco e detesto muitas outras. Das coisas que gosto não posso dizer que sou controlada por elas, pois a qualquer momento, outra atividade toma lugar do que falhou. O que não gosto é de me submeter como escrava a alguma atividade ou mesmo ficar viciada em algo. Até o cigarro, larguei no momento mais difícil da vida e nunca mais voltei a fumar, isso há 36 anos. Fumava um maço por dia e gostava de fumar. Digo isso para contar o que me aconteceu ontem e que me deixou em puro desgaste emocional. Não achei que seria tão afetada por simples contrariedade.
Bem, andei mexendo onde não devia no meu notebook e de repente eis que perdi minha conta no bendito (às vezes maldito) Google. Fiquei sem saber o que fazer. Criar outra conta e avisar a todos os meus contatos que meu email seria outro? Não, isso é que não. O fato de ter esquecido minha senha provocou esse reboliço que me estragou a manhã, como se uma nuvem negra tive pousado na sala. Meu humor foi a zero, houve um transtorno no meu estado de ânimo a ponto de eu não pensar em outra coisa, a não ser resolver o problema imediatamente. Só que para isso precisaria lembrar da maldita senha. Folheei cadernos e no meio de umas garatujas acabei achando uma senha ....e pimba! Era ela. Recuperei a conta e o bom humor. Foi como se me tivessem tirado um peso enorme das costas.
Analisando friamente a situação, fiquei perplexa como não sou coerente. Ao mesmo tempo que não gosto de nada que me domine, acabei concordando que algumas coisas me arrasam se deixam de funcionar. Não sei se por não ter muitas chances de distração a essa altura da vida (causas físicas impedem uma circulação mais ampla pelos locais que gostaria de visitar), a verdade é que não sou daquelas que se distraem fazendo trabalhos manuais, então confesso que adoro internet e explorar mundo afora a partir do quarto do computador é um luxo.
Ontem vi na TV um grupo de crianças que foi passar uma semana num local onde era proibido levar celular, tablet ou IPad, e a primeira reação das crianças foi de absoluta "síndrome de abstinência". Só começaram a achar graça no programa depois de 2 dias de atividades intensas. É isso, para não enfrentarem um bando de "viciados" na maquininha os coordenadores do grupo tiveram que bolar atividades sequenciais. A turma só parava para comer, tomar banho e dormir. Acabaram confessando que adoraram a experiência.
Somos escravos dos vícios que trazem prazer (aliás um vício sempre traz prazer, por isso vira vício) e abrir mão disso gera um desastre em nossas almas!
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