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domingo, 8 de março de 2015

VIVER MAIS PROTEGIDO E CONECTADO



Just Like Heaven
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O mundo anda tão emporcalhado com corrupção por todos os lados, que cada vez mais sinto necessário criar um mundo à parte, protegido de toda sujeira, para que a vida seja possível. A auto-proteção começa, não por desinformação do que está acontecendo -afinal precisamos saber daquilo que nos rodeia - mas por desenvolver sistemas de filtragem no uso do nosso tempo de maneira a não nos afastarmos de nossos valores. Continuar a querer bem, a colaborar com pessoas, a prestar pequenos favores, oferecer palavras de incentivo àqueles que continuam em sua luta pelo pão de cada dia, ajudar no que for possível (às vezes um olhar mais atencioso, uma palavra gentil na hora certa, um sorriso de compreensão é tudo o que se precisa). Ajustar a sintonia fina dos nossos sentidos e olhar ao redor com olhos de "primeira vez" ajuda bastante. Aquele seu vizinho a quem você tem pré disposição de julgá-lo por algum motivo superficial, é às vezes pessoa de bom coração que está precisando apenas de um pouco de atenção. O movimento tem que começar a partir de nós em direção ao outro e tudo fica mais fluido, mais leve.

Não é fácil viver, todos temos nossos perrengues, mas um problema compartilhado com alguém que tem a boa vontade de apenas ouvir o outro, já diminui sua carga pesada. 


No fundo temos sentido que o mundo precisa de mais amor e compaixão. Há muita gente que já vive isso de forma intensa. Sempre há quem nos dê exemplos edificantes ao longo de apenas um dia. Se assim não fosse, os dramas humanos estariam mais disseminados e aparentes. Há ajuda sutil e oculta do nosso alcance, que está sendo providenciada por pessoas de quem menos esperamos. 


Se cada um começar em sua vizinhança, sua rua, seu bairro a prestar atenção às muitas oportunidades de uma pequena ajuda, e o quanto esta seria valiosa para umas tantas pessoas, viveríamos com mais leveza apenas por termos feito alguma coisa por alguém a cada dia. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

a alma das coisas

(já que o google apagou a foto da xícara que era da minha tia, em protesto coloco um desenho sem valor estimativo algum)





Acabei de tomar chá mate com pão de queijo feito em casa. Momento de prazer e descontração. Mas não só isso, considerando o elemento invisível que habita as coisas. (Não estou maluca, não. Acredito firmemente que há um tipo de energia em todas as coisas, até em uma pedra).

Percebi que toda a vez que toco algum objeto deixado por minha tia-madrinha, falecida em 2014, há uma possibilidade de fruição de amor. Eu gostava tanto dela e das coisas dela, compartilhadas comigo cada vez que ia passar um dia em sua companhia, que nunca me imaginei na situação de usar tudo o que selecionei dos seus pertences, para fazer parte do meu dia-a-dia. 

Acho que onde estiver ela sente alegria por me ver tratando de suas coisas com carinho e boas lembranças. Lembranças que não deixam de provocar lágrimas de saudade, muitas vezes. É que quando eu tomo chá ou café numa xícara de porcelana antiga, branca, e uso a manteigueira de linhas harmoniosas que era colocada na mesa para compartilharmos o lanche da tarde, tudo isso me traz uma dor doce e ao mesmo tempo difícil de abandonar. Podem imaginar o que é usar a mesma louça desde que eu tinha idade para sentar-me à mesa e tomar lanche (3 ou 4 anos, talvez) quando morei com ela até os 8 anos de idade  e ainda usar as mesmas xícaras que tanto apreciava, mais de 60 anos depois?

Sei que não se deve invocar os mortos, deixemos que que eles descansem em paz, mas sinto que amor nunca fez mal a ninguém, nem a quem já se foi, pois esquecê-la seria pior. Se há alguma forma de comunicar um sentimento que nunca imaginei ser tão forte e acalentador, como é o que sinto por essa tia querida, então essa forma é homenageá-la, cuidando bem de suas coisas, sabendo o quanto ela cuidava com zelo enorme de tudo aquilo que possuía. Sempre valorizou as pequenas coisas e por isso mesmo suas pequenas coisas são hoje grandes elementos de ligação entre nós. 

Lembrar dela fará nascer ainda muitas lágrimas, mas sinto que ela pode receber a saudade que insiste em habitar meu coração como um atestado de que foi uma das pessoas mais dignas e íntegras que já conheci neste mundo!




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Amor

Nunca senti por homem algum (filhos à parte) a intensidade do amor que sinto por minhas duas cachorras.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

minha reflexão (dele) para hoje


 
Resultado de imagem para fernando pessoa



Todo o estado de alma é uma passagem. Isto é, todo o estado de alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita. Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nosso espírito.
Fernando Pessoa



sábado, 10 de janeiro de 2015

DESAPEGO




Eu que vivo separando o que não vou usar mais e fazendo doação, ao menos uma vez por ano, deparei-me com uma situação nova e inesperada. Depois do falecimento de minha tia em junho de 2014 me propus a fazer a mudança das coisas dela para o depósito que tenho embaixo da garagem do apartamento onde moro. Foram dias de extremo cansaço, que nem vou comentar aqui. Já consegui dar um destino ao menos em 50% das coisas (roupas, sapatos, bolsas, crochê, tecidos.  móveis, bolsas, enfeites, livros, revistas, etc).

Trouxe alguns móveis para meu apartamento, pois tenho lugar livre para colocá-los e coisas para serem colocadas em ordem (muitos livros, fotos, itens diversos, etc., etc.) e de repente me vejo em situação similar à de minha tia. Não tenho muita vida pela frente, ao menos no que diz respeito a disposição e força física para lidar com muita coisa. A pergunta é: até que ponto deve-se guardar pertences de nossos queridos antepassados? No fundo sou um pouco minha tia. Valorizo tudo o que me dão e também aquilo que representou motivo de felicidade para mim por algum tempo. Cursos maravilhosos que fiz de Biopsicologia, Terapia Alternativa, verdadeiros tesouros, que constituem um volume grande de apostilas e que ao mesmo tempo sei que não vou mais lê-los, por falta de tempo e talvez por medo de não poder praticar o que gosto tanto (aí a idade entra em jogo, pois faltam-me condições físicas para tudo o que já pratiquei um dia com desenvoltura e alegria). 

Tenho que aprender a dizer ADEUS. 

Às vezes já me aconteceu de passar pela calçada e me deparar com um mendigo, daqueles que têm consigo apenas um saco plástico onde guardam todos os seus pertences, e dizer para mim mesma: "ele é que é feliz! Está aí, vivo, com rosto alegre (algumas vezes) vivendo o dia a dia, ao Deus dará, mas nunca terá o problema de pegar em alguma coisa do passado e ficar olhando com saudade...

Às vezes tenho vontade de chamar um caminhão para levar tudo o que está acumulado. Não quero ser um problema para meus filhos quando deixar o planeta. Já os vejo dizendo: "a mamãe dizia que a tia era acumuladora mas ela é igualzinha".

Quero chegar ao ponto de chamar um caminhão, jogar tudo dentro, dizer ADEUS  e não olhar para trás.


14/1/2015
Nota: praticar o desapego é como andar ladeira abaixo. Uma vez que se começa a praticá-lo, não se pode parar. Tudo é facilitado apenas por se ter iniciado o caminho. Já estou em franco progresso. Tudo fica mais leve quando você descarta o que não é essencial, o que não está em uso. Fazer disso um hábito, como ir ao médico para um check-up é saudável e traz bem estar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Little Prayer





Oh! Deus
Tu és elegantemente 
Soberano
Porque não apareces
Mas dás todas as dicas
Para que Te encontremos.



O divino, o transcendental, em resumo - Deus - operam no silêncio. Posso constatar isso agora, enquanto lavo a louça da janta de ontem, envolta em silêncio aconchegante e ouvindo a algazarra vindo de alguma casa perto de onde moro. Com certeza uma família reunida em época de festas tem muito o que falar, o que discutir, comentar, e sobram risadas em alto som para confirmar isso. 

Nesse instante senti que a presença de Deus (para resumir o que quero chamar de metafísico, espiritual) opera no silêncio. É como a germinação de uma planta, a concepção de um ser vivo, animal ou humano, sempre acontecem no silêncio e no escuro. É lá que a vida pode acontecer. É lá que o milagre se inicia.  

E é nesse silêncio abençoado que mais me encaixo neste mundo. Não fui feita para grandes ajuntamentos, conversas em altos decibéis, choques de palavras atiradas de forma inconsequente. Prefiro a companhia dos que não me ferem a alma. O barulho sempre me incomodou. O som alto sempre me agrediu. Gosto da suavidade captada no ar. Isso alimenta minha alma.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

um texto que serviu-me

 
(imagem do google imagens)

“Na região de Chiang-Shih, no estado de Song, há lindas florestas de plátanos, amoreiras e ciprestes. Acontece que, quando atingem dois ou três palmos de altura, algumas dessas árvores são cortadas para servir de poleiros; das que medem quatro ou cinco palmos, há algumas que são cortadas para fazer estacas e, das que chegam aos sete e oito palmos, muitas são serradas para tábuas de caixões. Assim, nenhuma destas chegou ao termo natural da sua vida, nem pôde desfrutar, do alto do seu cume, a imagem do mundo para a qual tinha sido criada e, a meio do seu destino, caiu sob golpes do machado. Este é o perigo de se ser útil...;”

                                                      Ichonang-Tseu