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sábado, 10 de janeiro de 2015

DESAPEGO




Eu que vivo separando o que não vou usar mais e fazendo doação, ao menos uma vez por ano, deparei-me com uma situação nova e inesperada. Depois do falecimento de minha tia em junho de 2014 me propus a fazer a mudança das coisas dela para o depósito que tenho embaixo da garagem do apartamento onde moro. Foram dias de extremo cansaço, que nem vou comentar aqui. Já consegui dar um destino ao menos em 50% das coisas (roupas, sapatos, bolsas, crochê, tecidos.  móveis, bolsas, enfeites, livros, revistas, etc).

Trouxe alguns móveis para meu apartamento, pois tenho lugar livre para colocá-los e coisas para serem colocadas em ordem (muitos livros, fotos, itens diversos, etc., etc.) e de repente me vejo em situação similar à de minha tia. Não tenho muita vida pela frente, ao menos no que diz respeito a disposição e força física para lidar com muita coisa. A pergunta é: até que ponto deve-se guardar pertences de nossos queridos antepassados? No fundo sou um pouco minha tia. Valorizo tudo o que me dão e também aquilo que representou motivo de felicidade para mim por algum tempo. Cursos maravilhosos que fiz de Biopsicologia, Terapia Alternativa, verdadeiros tesouros, que constituem um volume grande de apostilas e que ao mesmo tempo sei que não vou mais lê-los, por falta de tempo e talvez por medo de não poder praticar o que gosto tanto (aí a idade entra em jogo, pois faltam-me condições físicas para tudo o que já pratiquei um dia com desenvoltura e alegria). 

Tenho que aprender a dizer ADEUS. 

Às vezes já me aconteceu de passar pela calçada e me deparar com um mendigo, daqueles que têm consigo apenas um saco plástico onde guardam todos os seus pertences, e dizer para mim mesma: "ele é que é feliz! Está aí, vivo, com rosto alegre (algumas vezes) vivendo o dia a dia, ao Deus dará, mas nunca terá o problema de pegar em alguma coisa do passado e ficar olhando com saudade...

Às vezes tenho vontade de chamar um caminhão para levar tudo o que está acumulado. Não quero ser um problema para meus filhos quando deixar o planeta. Já os vejo dizendo: "a mamãe dizia que a tia era acumuladora mas ela é igualzinha".

Quero chegar ao ponto de chamar um caminhão, jogar tudo dentro, dizer ADEUS  e não olhar para trás.


14/1/2015
Nota: praticar o desapego é como andar ladeira abaixo. Uma vez que se começa a praticá-lo, não se pode parar. Tudo é facilitado apenas por se ter iniciado o caminho. Já estou em franco progresso. Tudo fica mais leve quando você descarta o que não é essencial, o que não está em uso. Fazer disso um hábito, como ir ao médico para um check-up é saudável e traz bem estar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Little Prayer





Oh! Deus
Tu és elegantemente 
Soberano
Porque não apareces
Mas dás todas as dicas
Para que Te encontremos.



O divino, o transcendental, em resumo - Deus - operam no silêncio. Posso constatar isso agora, enquanto lavo a louça da janta de ontem, envolta em silêncio aconchegante e ouvindo a algazarra vindo de alguma casa perto de onde moro. Com certeza uma família reunida em época de festas tem muito o que falar, o que discutir, comentar, e sobram risadas em alto som para confirmar isso. 

Nesse instante senti que a presença de Deus (para resumir o que quero chamar de metafísico, espiritual) opera no silêncio. É como a germinação de uma planta, a concepção de um ser vivo, animal ou humano, sempre acontecem no silêncio e no escuro. É lá que a vida pode acontecer. É lá que o milagre se inicia.  

E é nesse silêncio abençoado que mais me encaixo neste mundo. Não fui feita para grandes ajuntamentos, conversas em altos decibéis, choques de palavras atiradas de forma inconsequente. Prefiro a companhia dos que não me ferem a alma. O barulho sempre me incomodou. O som alto sempre me agrediu. Gosto da suavidade captada no ar. Isso alimenta minha alma.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

um texto que serviu-me

 
(imagem do google imagens)

“Na região de Chiang-Shih, no estado de Song, há lindas florestas de plátanos, amoreiras e ciprestes. Acontece que, quando atingem dois ou três palmos de altura, algumas dessas árvores são cortadas para servir de poleiros; das que medem quatro ou cinco palmos, há algumas que são cortadas para fazer estacas e, das que chegam aos sete e oito palmos, muitas são serradas para tábuas de caixões. Assim, nenhuma destas chegou ao termo natural da sua vida, nem pôde desfrutar, do alto do seu cume, a imagem do mundo para a qual tinha sido criada e, a meio do seu destino, caiu sob golpes do machado. Este é o perigo de se ser útil...;”

                                                      Ichonang-Tseu



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

IMPOSTÔMETRO

NÃO HÁ NADA MAIS ESTRESSANTE QUE OBSERVAR O IMPOSTÔMETRO FUNCIONANDO :(


OU



QUE NESTE EXATO MOMENTO (22H50) ESTÁ EM 

1704126_ _ _ _ _ _ _ _ (NÃO DÁ TEMPO DE LER, QUANTO MAIS DIGITAR...)

domingo, 7 de dezembro de 2014

O que vier é lucro


Afinal, o que mais interessa na vida? Fiz essa pergunta várias vezes, mais ainda nos últimos meses.

Passando por pessoas vestidas em trajes de festa, prontas para comemorar algum evento em um buffet perto de onde moro, fico pensando que se pudesse colocar isso numa regra de 3 poderia achar o "x" da questão. Mas aqui o caso é mais simples. Seria uma regra de 2. Os elementos conhecidos são: as pessoas perfumadas e maquiadas, vestidas para festa e eu com jeans e camiseta passeando a cachorrinha (daqui a alguns meses "as cachorrinhas"). O fator desconhecido, o "x" da questão seria a própria vida, o destino que desenha a trajetória de cada ser humano, levando-os de roldão para este ou aquele caminho. 


Ao passar por essas pessoas sinto algo um pouco conflitante na alma. Uma parte de mim ainda anseia por diversão, companhia, conversa, e outra parte gosta de silêncio, solidão(minha velha companheira desde a infância) e liberdade de fazer o que me dá na telha. 


Estamos todos condenados a ambiguidades, para dizer o mínimo. Conscientes ou não do que desejamos ainda obter nesta vida, vamos nos aventurando pelos caminhos, torcendo para achar um pouco de alento, o alimento da alma que talvez nos faça viver até o próximo dia...


Tenho vivido o tal "dia de hoje". Confesso que não é fácil. Você tem que ter aprendido a eliminar toda e qualquer expectativa em relação a tudo e a todos. Mas como já experimentei a vida de outras formas e sempre acabei dando com os burros n'água, acredito que viver o agora ainda é a melhor forma de não enlouquecer. Para ser mais verdadeira, admito que planejo o dia seguinte, digamos, ao menos as obrigações básicas (afinal temos que comprar alimento, pagar contas, etc.) mas no que se refere a planos para as férias, a viagem de fim de ano, etc. etc... isso tudo está totalmente descartado do meu viver. O que vier é lucro!


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

uma pequena prece de agradecimento


(imagem da internet)


Ao chegar em casa, depois de passar por alguns perrengues (basta sair de casa para isso acontecer), no trânsito, no estacionamento e dentro do supermercado (onde senti nitidamente o quanto os comerciantes tentam ludibriar o consumidor) , consegui, com certo êxito, me desvencilhar de diversos nós e arapucas no caminho. 

A sensação que tive ao colocar os pés dentro do abençoado teto onde moro, a paz que imediatamente tomou conta de mim, levaram-me a vir até este blog para dizer apenas uma frase que resume tudo o que senti:

"enquanto tivermos controle sobre nossas vidas, administrando nossas tarefas, deveres e prazeres, podemos nos considerar privilegiados e abençoados pela força divina que rege este universo".

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Espelho, espelho meu...

Existe rosa mais linda do que eu? Disse a rosa para o espelho. E o espelho respondeu: "não, nem Branca de Neve é tão bela!"

Hoje recebi flores do meu filho e fiquei muito feliz! Não havia visto em toda a vida rosas tão lindas! Nunca vou esquecer deste aniversário. Ganhei poucas flores até hoje e quando um filho oferece tanta beleza à sua mãe, o perfume das flores é mais intenso!!!