Titia, ontem eu quis ligar para você e cumprimentá-la pelo seu aniversário, como fazia todos os anos. Mas como você morreu menos de um mês antes de completar 96 anos, pensei em ligar para o céu. Aí constatei que não tenho o número do telefone do Papai do Céu (como você se referia a Deus). Então fiz uma oração e pedi ao Papai do Céu que cuide sempre de você e tenho certeza que Ele o fará. Seu espírito deve estar iluminando um pouco mais o lugar onde ficam as almas santas!
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terça-feira, 8 de julho de 2014
Seu aniversário
Titia, ontem eu quis ligar para você e cumprimentá-la pelo seu aniversário, como fazia todos os anos. Mas como você morreu menos de um mês antes de completar 96 anos, pensei em ligar para o céu. Aí constatei que não tenho o número do telefone do Papai do Céu (como você se referia a Deus). Então fiz uma oração e pedi ao Papai do Céu que cuide sempre de você e tenho certeza que Ele o fará. Seu espírito deve estar iluminando um pouco mais o lugar onde ficam as almas santas!
domingo, 6 de julho de 2014
Ponteiros Parados: O SISO DO FILÓSOFO E O RISO DA ESCRAVA
Ponteiros Parados: O SISO DO FILÓSOFO E O RISO DA ESCRAVA: Elliott Erwitt | NY, 1953 Esta notícia fez-me lembrar aquele célebre episódio entre Sólon e Tales de Mileto, que é contado por Pluta...
Muito bem colocada a questão. Melhor deixar o instinto à solta, que naturalmente vai à procura do outro para dividir o amor...
Muito bem colocada a questão. Melhor deixar o instinto à solta, que naturalmente vai à procura do outro para dividir o amor...
INICIO DE UMA NOVA FASE
Ontem foi o dia de começar um ciclo novo, nem por isso isento de dor.
Visitando o apartamento vazio de minha tia querida, recentemente falecida (tinha 95 anos), percebi que perdi meu último laço de sangue mais velho que eu.
E agora? Para quem vou perguntar as coisas nunca perguntadas? Com quem vou tomar o cafezinho da tarde com pão fresco comprado na padaria próxima ao seu apartamento? Quem vai me receber com os braços abertos e um sorriso no rosto? Quem vai conversar comigo sobre a vida, esta pessoa que apesar de viver com o mínimo de dinheiro, nunca se queixou de nada? Convivia com ela numa relação muito estreita, principalmente depois que minha mãe morreu, e passei a dedicar à minha tia a atenção e cuidados que me eram possíveis. Ela me chamava de Soninha. A única pessoa que me chamava dessa forma. Além de sobrinha sou afilhada de batismo dessa pessoa encantadora, cuja única queixa era desejar engordar um pouquinho. E eu dizia: "titia, mas você come tão devagar que o seu cérebro sinaliza que já está satisfeito depois de algumas garfadas". Nunca passou de 40 quilos. Morreu com 35kg.
Quando entrei com meu filho em seu apartamento, na intenção de começar a separar as coisas dela, filtrar o que vai ser doado, o que vai ficar para a família e o que vai ser descartado, senti que não ia conseguir fazer nada disso.
Fui tomada de uma emoção forte, pois ao abrir a porta estava acostumada à presença dela sempre sorridente para mim. Caí no choro. Meu filho, que pouco conviveu com ela foi aos poucos sendo tomado por um choro discreto e até pensei que estava com os olhos lacrimejando pelo cheiro da naftalina que ela sempre usou para conservar suas coisas. Era cuidadosa ao extremo com tudo o que tinha. As toalhinhas de crochê que fazia, sempre impecáveis, as revistas sobre costura, tricô e crochê, moldes do tempo em que ainda costurava roupinhas de bebê... Perguntei se o problema era a naftalina. Ele disse que não, estava emocionado. Dava para sentir que minha tia estava conosco ontem. Ouvi dizer que nos primeiros dias após a morte o espírito das pessoas ainda habita o ambiente em que moravam. E ela morou naquele apartamento 46 anos.
Terei que passar uma semana lá, a ver se consigo desempenhar a tarefa que me coube. Peço desde já a proteção divina, para que consiga fazer tudo da melhor forma possível.
Trouxe duas plantas que estavam nos fundos do prédio ao Deus dará. Já estou cuidando delas como minha tia fazia. Eram as filhas que nunca teve.
Visitando o apartamento vazio de minha tia querida, recentemente falecida (tinha 95 anos), percebi que perdi meu último laço de sangue mais velho que eu.
E agora? Para quem vou perguntar as coisas nunca perguntadas? Com quem vou tomar o cafezinho da tarde com pão fresco comprado na padaria próxima ao seu apartamento? Quem vai me receber com os braços abertos e um sorriso no rosto? Quem vai conversar comigo sobre a vida, esta pessoa que apesar de viver com o mínimo de dinheiro, nunca se queixou de nada? Convivia com ela numa relação muito estreita, principalmente depois que minha mãe morreu, e passei a dedicar à minha tia a atenção e cuidados que me eram possíveis. Ela me chamava de Soninha. A única pessoa que me chamava dessa forma. Além de sobrinha sou afilhada de batismo dessa pessoa encantadora, cuja única queixa era desejar engordar um pouquinho. E eu dizia: "titia, mas você come tão devagar que o seu cérebro sinaliza que já está satisfeito depois de algumas garfadas". Nunca passou de 40 quilos. Morreu com 35kg.
Quando entrei com meu filho em seu apartamento, na intenção de começar a separar as coisas dela, filtrar o que vai ser doado, o que vai ficar para a família e o que vai ser descartado, senti que não ia conseguir fazer nada disso.
Fui tomada de uma emoção forte, pois ao abrir a porta estava acostumada à presença dela sempre sorridente para mim. Caí no choro. Meu filho, que pouco conviveu com ela foi aos poucos sendo tomado por um choro discreto e até pensei que estava com os olhos lacrimejando pelo cheiro da naftalina que ela sempre usou para conservar suas coisas. Era cuidadosa ao extremo com tudo o que tinha. As toalhinhas de crochê que fazia, sempre impecáveis, as revistas sobre costura, tricô e crochê, moldes do tempo em que ainda costurava roupinhas de bebê... Perguntei se o problema era a naftalina. Ele disse que não, estava emocionado. Dava para sentir que minha tia estava conosco ontem. Ouvi dizer que nos primeiros dias após a morte o espírito das pessoas ainda habita o ambiente em que moravam. E ela morou naquele apartamento 46 anos.
Terei que passar uma semana lá, a ver se consigo desempenhar a tarefa que me coube. Peço desde já a proteção divina, para que consiga fazer tudo da melhor forma possível.
Trouxe duas plantas que estavam nos fundos do prédio ao Deus dará. Já estou cuidando delas como minha tia fazia. Eram as filhas que nunca teve.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
o que um texto me revelou!
Vermeer - The girl with a pearl earring
Estou digitando um texto para alguém a quem estimo e a quem ofereci esse serviço. Foi por pura intuição que estou fazendo isso, até porque preferia não entrar em contato mais estreito com essa pessoa, que no passado me fez sofrer mais do que eu poderia suportar. Mas hoje consigo separar as coisas e no fundo eu quero bem a esse ser humano que tem qualidades e defeitos como todos nós.
Estou descobrindo coisas a meu respeito que nem desconfiava que fossem por esse meio reveladas. Como somos diferentes!!! Eu sei que passamos por sofrimento semelhante há muitos e muitos anos mas cada uma das pessoas tomou um rumo totalmente diverso.
Confesso que essa pessoa não se deixou abater e soltou as amarras de uma forma que até invejo. Eu já fui pelo caminho do auto-sacrifício, do medo de resvalar para o prazer fácil, do sentimento de obrigação em não ofender meus familiares.
Agora, depois dos sessenta, começo a vislumbrar que em respeito aos outros não vivi a vida como poderia. Não desfrutei de nenhum momento de prazer quando isso pudesse significar prejuízo á minha família, mesmo de leve. Meu senso de obrigação e de não tirar proveito de pai e mãe em benefício próprio fez com que desde jovem eu tomasse para mim toda a responsabilidade de me sustentar e não dar trabalho aos meus pais. Sempre que podia, ajudava-os, embora tenha recebido muita patada de meu pai e uma ausência afetiva marcante dos dois, pai e mãe.
O resultado disso é que essa pessoa a quem digito seu texto tem uma vida de artista, leve e solta, está bonita mesmo com quase a minha idade e até hoje obedece aos impulsos de fazer o que quer, na hora em que decidir.
Eu, sempre pensando nos outros primeiro, só faço o que gosto se não significar prejuízo a quem estiver no meu rol de parentes, amigos e conhecidos.
Não é o caso de eu perguntar se ganhei algo com esse meu comportamento auto-repressor, um pouco parecido aos orientais, que às vezes deixam de viver como gostariam, em respeito aos pais, a quem dão importância primordial em suas vidas.
Não é o caso de me arrepender de ter vivido desta forma, até porque não conseguiria ser "amor e rock&roll" como essa pessoa a quem me refiro. Cada um sabe de si e procura uma orientação dentro de seu coração que no meu caso, sempre me protegeu. Porque eu cresci medrosa e com sentimento de pouca valia. Só agora tenho plena consciência disso. Eu tenho potencialidade para ter sido o que decidisse ser, mas faltou aquela coragem que sobrou a essa pessoa.
Agradeço à proteção espiritual que me acompanha. Quero deixar aqui registradas essas palavras, caso alguém tenha passado por situação semelhante. Posso não confiar nos homens em geral, mas confio em Deus, nos meus filhos e na minha cachorrinha. E isso me basta. Não poderia ter sido de outra forma. Eu iria destruir, com minha insegurança, medo e baixa auto-estima, a vida de todos os homens que se aproximaram de mim. Alguns até me amaram, mas fui incapaz de arriscar com qualquer um deles.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Agonia e morte de um pardalzinho
Há tempos pensei que nunca em toda a vida encontrei um passarinho morto nas calçadas, ruas ou caminhos por onde ando. Não sei o que acontece com eles quando morrem. Acho que existe um anjinho que os carrega em suas mãos e os leva para o paraíso dos passarinhos.
Acabei de chegar de um passeio pela praça, com minha cachorrinha e assisti a uma cena que me tocou muito. Um filhote de pardal agonizando. Estava caído na grama, um dos olhos era uma bolha de sangue, e ele não tinha forças para voar. Mas arriscou pequenos vôos. Eu fui buscar uma caixa na lanchonete do outro lado da praça e pensei em levar o bichinho para dar um trato, alpiste e água, pois talvez se recuperasse. Mas aí aconteceu uma daquelas coisas que nos faz pensar: "o homem põe e Deus dispõe". O passarinho resolve voar e dá uma trombada justamente no tronco maior que havia na praça. Caiu e começou a agonizar. Só soube que ainda estava vivo pois sua única patinha (a outra estava quebrada) mexia um pouco. Fiquei muito emocionada e rezei pela alminha dele. De repente ele se virou (estava deitado de costas) e ficou apoiado nas perninhas. Quis morrer com dignidade. Deixei-o na caixinha pedindo que ele fosse para o paraíso dos passarinhos.
sábado, 24 de maio de 2014
antes tarde do que nunca
As pessoas ainda se encolhem quando têm que admitir certas doenças, como se tivessem culpa por tê-las. Há uma espécie de vergonha, que vem de tempos remotos, quando víamos pessoas com lepra, isoladas em locais onde ninguém ousava chegar perto. Apenas médicos especializados tratavam desses seres como podiam, já que os recursos e conhecimentos sobre a doença não permitiam que muito fosse feito para o benefício deles. Fico pensando no sofrimento de tanta gente, não só pela dor física, mas pela dor emocional, por não terem contato com o mundo. O mesmo acontecia com os tuberculosos, que eram isolados do mundo em locais afastados, pois ainda não havia cura para esse mal, e acabavam morrendo sem que pudessem ver seus entes queridos, proibidos de entrar nesses locais de isolamento.
Hoje queria falar sobre a depressão. Passei a vida inteira negando esse mal do século, talvez por duas razões: uma inconsciente e outra por ignorância. Minha mãe sempre teve depressão, tomava 6 remédios por dia e nunca se curou. Eu jurei que se tivesse esse mal iria vencer sem remédio algum. Apenas com recursos alternativos. O motivo da ignorância é que há muitos anos sofro de crises de ansiedade que se revezam com períodos de relativa calma. A última grande crise foi no ano 2000, depois disso tive pequenas crises que não chegaram a interferir no meu ritmo de vida. Nunca deixei de fazer nada que fizesse parte de minha rotina por causa dessa ansiedade. Apenas sofria calada, com a energia diminuída e pouca disposição física.
Só agora, já em plena velhice, acordei. Depois de sofrer fratura do colo do femur e ficar 3 meses sem poder sair de casa, movimentando-me apenas com o auxílio de um par de muletas, não sabia que isso me levaria a uma posterior ansiedade fortíssima, a ponto de afetar minha respiração (sensação de sufoco) e minha voz (que saía fraca e dissonante).
Encarei o psiquiatra. Estou me tratando sem considerar o meu passado de resistência a isso. O que ouvi do médico serviu-me como uma lição de vida. Ao final da consulta ele disse: "o fato de você até agora ter negado que tem depressão fez com que sofresse mais do que se tivesse se tratado antes".
E ontem, ao esperar para ser atendida por minha fisioterapeuta que está me ajudando com acupuntura, auriculoterapia e massagem, tive vontade de anotar o que me chegou ao pensamento e aí vai para quem quiser ler:
1) Tenho que reaprender a me interessar pelas bobagens da vida.(porque quase tudo é bobagem)
2) Há algo em comum na paixão e na depressão. Ambas provocam sofrimento. Só que a paixão é o êxtase e a depressão é o aniquilamento.
domingo, 11 de maio de 2014
Pessoa, sempre!
(imagem da internet)
repasso...
Uma das mais belas construções do místico Pessoa , relembro-a sempre quando há
amigos enlutados e sensíveis por acudir e dar uma força.
Já não me pesa tanto o vir da morte
Sei já que é nada, que é ficção e sonho
E que, na roda universal da Sorte,
Não sou aquilo que me aqui suponho.
Sei que há mais mundos que este pouco mundo
Onde parece a nós haver morrer _
Dura terra e fragosa, que há no fundo
Do oceano imenso de viver.
Sei que a morte, que é tudo, não é nada,
E que, de morte em morte, a alma que há
Não cai num poço: vai por uma estrada,
Em Sua hora e a nossa, Deus dirá.
Já não me pesa tanto o vir da morte
Sei já que é nada, que é ficção e sonho
E que, na roda universal da Sorte,
Não sou aquilo que me aqui suponho.
Sei que há mais mundos que este pouco mundo
Onde parece a nós haver morrer _
Dura terra e fragosa, que há no fundo
Do oceano imenso de viver.
Sei que a morte, que é tudo, não é nada,
E que, de morte em morte, a alma que há
Não cai num poço: vai por uma estrada,
Em Sua hora e a nossa, Deus dirá.
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