segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

EM CADA JANELA UMA HISTÓRIA



Com 23 anos mudei de casa para apartamento e a partir daí, sempre apartamento. Numa casa você não tem a oportunidade de ver flashes de vidas alheias. Num apartamento isso pode ser motivo de muitas reflexões e até mesmo de uma certa dor.

Em primeiro lugar, não vou me queixar da vida. Aliás, é nesta fase que me sinto mais em paz e dona de uma felicidade que nunca experimentei antes. Não sou mais regulada por pai ou marido de forma violenta, pelo primeiro, ou doentia, pelo segundo. 

Mas voltando ao tópico do meu texto de hoje, às vezes, numa noite de verão, para tomar uma brisa mais fresca, sento-me na cadeira de praia que fica no terracinho e começo a olhar as janelas, sem me demorar em alguma em particular. Quando era jovem, ao passar por um casa, ficava imaginando como seria a vida das pesoas daquela família. O fato de nem sempre eu ter tido uma infância feliz, fazia-me imaginar que os outros tinhas histórias instigantes para contar....

No entanto, hoje, depois de passar poucos minutos numa especie de contemplação aleatória das várias janelas iluminadas, eis que uma cena deu ensejo a esta postagem. Vi um rapaz com corpo magro, sem camisa, de shorts preto, tipo sunga, andando pelo cômodo, quando chega quem talvez seja sua mulher, e se coloca perto dele, nenhum gesto que indicasse o início de alguma intimidade, mas aí....o fato de sentar-se no sofá e puxar a cortina, deu margem à minha imaginação....e mesmo sabendo que eu não daria conta de mais um relacionamento desde os 34 anos, quando me separei, senti falta de companhia. Hoje gostaria de conversar com alguém gentil e inteligente; já senti atração física quando era mais nova e  separada, tive minhas amizades coloridas, mas hoje, aos 80 anos, ainda gostaria de ter boa companhia para um café ou mesmo um vinho, só para trocar ideias.

Uma coisa, porém, é certa. Os homens são movidos a sexo, não se interessam por conversar sem a garantia de um rala e rola no final....