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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

sobre o tédio...







Se já escrevi isto aqui, me perdoem, mas se aconteceu deve ter sido há muito tempo.
Tenho em Fernando Pessoa (que me acompanha através de seus livros) meu grande amigo. O Livro do Desassossego é um dos dois livros de cabeceira que não dispenso. Hoje ao ler um trecho sobre o tédio, resolvi compartilhar para que possam apreciar o quanto de sabedoria há nas palavras do escritor/poeta!



381. Ninguém ainda definiu, como linguagem com que compreendesse quem o não tivesse experimentado, o que é o tédio. O que a uns chamam tédio, não é mais que aborrecimento; o que a outros o chamam, não é senão mal-estar; há outros, ainda que chamam tédio ao cansaço. Mas o tédio, embora participe do cansaço, e do mal-estar, e do aborrecimento, participa deles como a água participa do hidrogênio e oxigênio, de que se compõe. Inclui-os sem a eles se assemelhar.


383. O mundo exterior existe como um actor num palco: está lá mas é outra coisa. (*)

comungo totalmente com essa ideia do FP, motivo pelo qual quis acrescentar o parágrafo 383. no post.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O Demônio do Meio Dia









O demônio do meio dia (*) me visita quase todos os dias, ao redor do meio-dia. Depois vai embora sorrateiro e nem vejo por onde ele sai. 


(*) O Demônio do Meio Dia, livro de Andrew Salomon.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

a mais vil de todas as necessidades...






Coloco um texto de Fernando Pessoa, de O Livro do Desassossego, o qual pretendo seguir de agora em diante.  Que seja meu propósito para o Ano Novo:

349.
A mais vil de todas as necessidades - a da confidência, a da confissão. É a necessidade da alma de ser exterior.

Confessa, sim; mas confessa o que não sentes. Livra a tua alma, sim, do peso dos seus segredos, dizendo-os, mas ainda bem que os segredos que digas, nunca os tenhas tido. Mente a ti próprio antes de dizeres essa verdade. Exprimir é sempre errar. Sê consciente: exprimir seja, para ti, mentir.


Muitos já vivem isso. Não é possivel que haja tanta gente feliz! Agora será a minha vez! Conseguirei, com certeza!!!

Só o Fernando Pessoa me entenderia hoje, mas ele já morreu!!!

sábado, 29 de dezembro de 2012

o tamanho da cruz





Não me lembro se já escrevi sobre isso aqui no blog.

Um dia fui a um Tarólogo que também é meu amigo, e no final da consulta, ele já me acompanhando até o elevador, queixei-me de que sinto que minha cruz às vezes é pesada demais e tenho a sensação de não poder carregá-la. Naquela época eu vinha passando por uma série de contratempos que me deixaram desenergizada e com um alto nível de estresse. Ele olhou-me com um ar complacente, de quem tem vontade de ajudar e contou-me uma historinha, que até hoje serve-me de motivação para não me queixar da vida, apesar de meus desabafos eventuais, coisa que faço geralmente no blog, para não perturbar muito o dia a dia dos meus parentes e amigos.

Contou-me ele que um homem, já cansado de tanto sofrimento, sem forças para tocar a vida, ao se deitar uma noite, pediu a Jesus que o fizesse sonhar com um remédio para curar seu mal. Eis que ao acordar o homem lembrou-se do sonho, que era mais ou menos assim:  estava ele frente a frente com Jesus, a quem  contou seus problemas. Jesus disse: siga-me que quero mostrar-lhe uma coisa. Encaminhou o homem a um grande depósito, onde havia uma porta de entrada que foi aberta para que os dois passassem. O homem ficou estarrecido com o que viu: cruzes de todos os tamanhos e materiais se empilhavam pelas paredes e muitas pelo chão. Algumas eram muito grandes, outras um pouco menores e Jesus disse: faça como desejar. Se quiser trocar sua cruz por qualquer uma outra dessas, farei com que sua vontade seja satisfeita. O homem olhou, examinou e avaliou se iria valer a pena, já que todas pareciam pesadas também. Finalmente já iam saindo quando o homem teve a idéia de olhar atrás da porta que foi aberta quando eles chegaram, e viu uma cruz bem pequena, que parecia fácil de levar. Ele imediatamente apontou aquela cruz e disse a Jesus: quero aquela!!! Jesus olhou para o homem e falou: mas essa é a sua cruz!


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

FELIZ NATAL AOS QUE ME VISITAM!






A todos os que têm visitado meu blog e aos tantos que têm paciência de ler os textos, deixo aqui meus votos de um FELIZ NATAL!
Passei este Natal na Santa Paz de Deus, sem contratempos,na companhia dos meus filhos e até a ceia que preparei ficou muito gostosa. Senti uma harmonia grande entre nós e agradeço aos céus por ter dois filhos que só me fazem ver que apesar de tudo, minha vida tem sido abençoada e valiosa!

RECORDAR É VIVER...PRA QUE?

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Acabei de ter um insight: a razão pela qual as pessoas idosas são mais depressivas e tristes é que - não há como evitar - têm lembranças de toda uma vida e nisso estão incluidos os que já se foram, as pessoas queridas, com as quais não podemos mais rir, nos divertir, conversar. Sobra o presente que nem sempre é um tempo de verbo agradável para quem é idoso. Há as dores e doenças da idade, que procuramos disfarçar com remédios e boa vontade, há até os que se apegam a alguma religião, na esperança que isso lhes dê algum alento, mas a verdade é que na solidão dos dias e noites, nosso pensamento está sempre voltado aos entes queridos que já se foram e isso faz com que a morte não se nos afigure tão trágica assim, se pensarmos que até pode ser que iremos celebrar o encontro com todas as pessoas amadas que já se foram.


Todo final de ano é a mesma xaropada: a minha alma fica sensível como um nervo exposto e começo a sentir coisas que deveria deixar bem escondidas num canto. Isso não ajuda em nada!

sábado, 22 de dezembro de 2012

O PIANO






Ia descansar um pouco depois do almoço, mas uma lembrança me veio à memória, talvez estimulada pela bela música que ouço agora da cama, lá no computador. Minha música predileta está no site  http://www.sky.fm/play/mellowjazz e nem preciso mais gravar músicas. Ali há o que mais aprecio.


Veio-me à memória um fato que talvez explique porque não dei continuidade ao meu talento para música. Sou afinadíssima, toco qualquer música com a mão direita, ou  seja, o solo, mas na hora do acompanhamento me falta o estudo. Acabei não dando continuação ao estudo da música e o fato que vou narrar explica em parte porque foi assim.


Ainda criança (ao redor de 8 anos de idade) eu sonhava em ter um piano e o orçamento doméstico não me permitia sonhar alto. Acabei ganhando afinal um piano pequeno, de madeira clara, lindinho, que foi colocado na sala de visitas e eu nem dormia direito pensando na hora em que iria sentar-me no banquinho que acompanhava o instrumento e iniciar minhas aventuras musicais.


Um dia, ou melhor, foi uma noite...recebemos a visita de uns amigos de meus pais que tinham dois filhos. O mais novo deles (para mim até hoje, é a figura do próprio capeta encarnado) resolveu experimentar as teclas do meu querido pianinho. Tanto fez que conseguiu quebrá-lo. Batucou como um desgraçado, e ao sair da nossa casa eu vi que as teclas estavam empenadas, ou seja, ele destruiu o teclado.


Meus pais não reagiram como eu desejava. Deveriam ter pedido aos pais dele que  providenciassem o conserto.Em resumo, depois daquela noite fatídica fiquei sem o piano, que se tornou um móvel sem utilidade na sala e foi logo mandado ao lixo, se não me engano. Algo em meu cérebro se nega a recordar o que foi feito dele, e até hoje não perdoo meus pais pela displicência com que trataram o caso.


Como vocês podem ver aqui no meu blog, tenho muitas mágoas e ressentimentos mal resolvidos em relação a alguns eventos da minha vida e não resta outra coisa além de comentar sobre eles.


Tempos depois ganhei um violão do meu querido avô, no qual aprendi sozinha a tocar muitas músicas, cheguei até a solar algumas, e muitos anos depois, nos primeiros dias de casada,  fiz uma demonstração de meu talento ao hoje ex-marido, solando "besa me mucho". A reação dele foi zero: ouviu a música e não disse uma só palavra ao final da apresentação. Resultado: guardei o violão no fundo do baú e nunca mais toquei nada. Ficaram os cadernos (que tenho até hoje) e uma grande mágoa por não ter sido incentivada nos meus pendores musicais.


Hoje me contento em ouvir (enquanto a natureza não me deixa surda) e curtir a música aqui no meu computador. Não me arrisco a aprender novamente, temerosa de que alguém me corte a onda.


Sempre houve alguém interferindo nos meus maiores sonhos, de maneira a impedir que se tornassem realidade. O que será isso?


Não possuia a força de bater de frente com a autoridade, e hoje vejo que isso só me prejudicou. Observo crianças rebeldes e desaforadas, (não me refiro às mimadas, que abomino) que enfrentam pais e professores para defenderem um sonho, por mais absurdo que seja,  e as invejo de coração!