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sábado, 20 de outubro de 2012

A ALMA DAS COISAS






O que será essa sensação de que as coisas, depois de algum tempo comigo, podem ter criado uma alminha? Sinto gratidão por terem me servido por tanto tempo, que na hora de ter que me desfazer delas penso que seria necessário um ritual de agradecimento por terem me feito companhia.
Não pensem que sou como os "acumuladores" de um programa de TV, que vão juntando coisas a ponto de não terem lugar por onde transitarem dentro de suas casas. Ao contrário: sou do tipo que gosta de tudo "clean", quanto menos tranqueira, melhor.

Acontece que dentro de alguns dias vou mudar de apartamento e já comecei a encaixar as coisas. Podia pegar 50% do que tenho e simplesmente jogar no lixo, pois adoro ter poucas coisas, mas detesto precisar de uma chave de fenda, por exemplo, e ter que sair correndo para comprar uma de última hora.

Como decidir se uma coisa está velha e precisa ser substituída, se ela ainda me serve tão bem? Resolvi telefonar para uma entidade assistencial e sem pensar muito avisei que vou doar um dos meus sofás (o maior) e uma estante de PC dos primórdios da Evolukit.

Será que um pouco da energia da gente não fica impregnada nessas coisas que nos acompanham e essa é a razão por achar estúpido simplesmente descartar tudo o que está ficando velho?

 A verdade é que não sei decidir quando uma coisa está velha, já que sou cuidadosa e a conservo em perfeito estado. Não sou, decididamente, consumista. Acho insano ir trocando 6 por 1/2 dúzia só porque é mais "moderninho". E ao mesmo tempo invejo quem não tem o mínimo escrúpulo em se desfazer de toneladas de tranqueiras.

Meu apartamento é pequeno, tenho o mínimo de móveis mas há coisas que me incomodam e que estão me deixando biruta nesses dias. Vou ter que me desfazer de meus LP's que amo, mas para ouvi-los precisaria comprar um toca-discos. Talvez o faça. Os livros estão todos garantidos de me acompanharem até meus últimos dias. Esses são seres sagrados, nem se discute sobre doá-los ou vendê-los. Seria um crime cruel demais.

Mas o que dizer de uma lixeirinha de pia que está perfeita, e só porque a vejo todos os dias enjoei e quero comprar outra? Lá se vai mais lixo reciclável para poluir ainda mais o paneta.

Bem, esse papo ainda iria longe, mas vou ficar por aqui, pois preciso caminhar e ao mesmo tempo refletir mais sobre a "alma das coisas"... 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

minha montanha russa








Ultimamente estou numa montanha russa em câmera lenta (se é que dá para entender o que quero dizer). Na parte da manhã a cadeirinha me leva para baixo. Começa essa jornada assim que tiro os pés da cama e os coloco no chão. Na parte da tarde ela já engata outra marcha e começa a subir (tudo em câmara lenta, que é pra deixar bem claro que não estão incluídas emoções fortes, como euforia ou medo).O máximo que acontece é um marejamento nos olhos, já que estou numa fase de sensibilidade à flor da pele, pronta para trabalhar em qualquer novela onde não seria problema algum chorar na hora em que fosse necessário.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

BONITINHA DE LONGE...









Cansada de ficar em casa nos finais de semana e feriados por falta de programas agradáveis na cidade onde moro, por sugestão de alguém resolvi dar um "rolê" na av. Paulista. Pegaria o trem, desceria na estação Tamanduateí e em seguida o metrô para a estação Trianon-Masp.
Saí de casa e fui a pé até a estação do trem, logo depois do café da manhã. Ao chegar ao meu destino já senti que o programa estava condenado ao fracasso. Não sei se só eu tenho essa impressão, mas a av. Paulista me pareceu em estado de decomposição. Suja, feia, relaxada...
As pessoas que passeavam pelas calçadas (afinal hoje é feriado) não conseguiam desacelerar o passo apressado que costumam usar nos dias úteis. Acho que já não sabem relaxar. Não se lembram do que significa a palavra "passear". Vi muitos casais, o desfile de gays era notório, e as poucas pessoas que estavam sozinhas não desgrudavam do celular. Acredito que mais de 50% dos jovens estavam conectados com o celular, nem olhavam para os lados, seguiam de cabeça baixa falando sozinhos (quer dizer, com alguém na linha). Senti claramente que cada um está no seu mundo fechado, não existe uma centelha de compartilhamento, solidariedade, enfim, se alguém caísse morto na calçada, talvez muitos seguissem seu caminho sem olhar para trás. A av.Paulista está decadente, feia, inóspita, e posso elegê-la um dos lugares mais desagradáveis para lazer. A fila do MASP para ver as obras de Caravaggio parecia uma sucuri humana, no mínimo 200 m e as pessoas parece que não se importam de passar horas esperando sua vez. Gente, o que é isso? Procurei o que queria, não achei e decidi voltar para casa a tempo de almoçar no refrescante e aconchegante pequeno apartamento onde moro.
 Av. Paulista, NUNCA MAIS!!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sonho com monges










      Sonhei muito essa noite. Apenas uma fração desse sonho, cheio de histórias diferentes, quero deixar registrada aqui, pois é a parte que ficou nítida na minha memória depois que acordei:
      eu morava numa casa onde havia, num quarto, uma pequena caixa de papelão, (parecida a uma caixa de sapatos) com 8 monges pequenos dentro. Eles eram feitos de gesso pintado de cor parda, imitando o tom de pele dos indianos, todos carecas, e logo abaixo do pescoço sua indumentária era de um pano macio, de flanela cor de rosa queimado, quase um tom de ocre. Percebia que eram usados para teatro de fantoches, em festas infantis. O mais interessante é que tinham vida. Por uma razão que não me lembro, tive que me ausentar por muito tempo e deixei os monges em sua caixinha, no quarto. Quando voltei e abri a porta, senti que estavam todos mortos, pois em vez de estarem de pé como antes, estavam deitados uns perto dos outros, já que não havia espaço suficiente na caixinha para que não se amontoassem. A surpresa foi que, quando eu entrei para ver os meus monges queridos, senti um pânico por vê-los mortos , mas ao mesmo tempo percebi que aos poucos eles foram se levantando, como que voltando à vida e isso me deixou em estado de grande alegria, uma alegria indescritível!

      Alguém sabe analisar sonhos? Eu não tenho ideia do que este pode representar.




sábado, 1 de setembro de 2012

O mar, a areia, o sol, o céu, a brisa, a maresia...



(do blog: no vazio da onda)

Estou precisando urgentemente do mar. Sentir o cheiro da maresia, pisar na areia, receber o spray das ondas no rosto, tudo isso me faz um bem enorme. Sou santista, não nego. Minha energia vem do mar e eu tenho sido omissa em me dar mais vezes esse presente tão generoso da natureza. E dizer que vou a Santos ao menos uma vez por mês e nem sempre vejo a cor do mar...  minha missão é outra, bem diferente: fazer companhia a uma tia idosa que fica feliz com minha presença, como criança quando ganha brinquedo novo. 

domingo, 26 de agosto de 2012

CARREGANDO PESO







A vida vai passando, passando e um dia a gente se pergunta: e se aquele cretino não tivesse sido perverso comigo na época em que eu ainda era crédula, ingênua e fazia tudo pelo outro sem medir esforços, apenas porque me dava alegria ver a pessoa feliz? E ainda tem gente que diz que você tem que perdoar....ah! faça-me o favor. Quem tem que perdoar é Deus. Isso agora é problema da pessoa. Não fui eu quem usei de maldade, falsidade, perversidade, agressividade, violência e outras ferramentas pouco nobres da natureza humana. O que posso fazer em relação à pessoa a quem me refiro é jogá-la na lata de lixo, como já fiz. Não desejo vingança, deixei o ajuste de contas a cargo do ser superior, cuja contabilidade é perfeita. Eu costumo - e isso é uma característica própria - deletar a pessoa da minha vida (tenho Vênus em Escorpião). Esqueço-a. Não sofro um pingo por causa dela. Nem desejo o mal. Que viva o que tem que viver e me deixe na santa paz.

Aliás, só me lembrei de dizer isso aqui, agora, porque cheguei do supermercado cansada, carregando compras e vendo que desde que era muito jovem, já fazia tudo sozinha, sem ajuda. Nunca fui pessoa de ter mordomias, e hoje, justamente, bateu-me um cansaço muito grande de tanto batalhar sem ajuda de ninguém.

Por isso - e só por isso - eu acredito na chance de reparo. Para tal é necessário um processo que não está claro para ninguém, mas eu simplesmente sinto que a coisa não fica sem acerto de contas.

domingo, 19 de agosto de 2012

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS






Não consigo assistir à propaganda do Médicos Sem Fronteiras. A começar pela música, muito triste, as imagens daquelas pobres criancinhas sofridas, com desencanto no olhar, é algo que me leva às lágrimas. Hoje, justamente na hora em que estava almoçando, passou a tal propaganda e tenho a impressão de que a comida que eu engolia me fazia mal, só de pensar na fome que aquelas crianças passam o tempo todo...
Definitivamente, O MUNDO NÃO É JUSTO!
Se a gente pudesse confiar que a ajuda e dinheiro seriam empregados totalmente a favor dessa causa, amanhã mesmo eu iria me inscrever. Mas depois do que eu soube do que acontece no CRIANÇA ESPERANÇA, fiquei desencantada e precisaria de maiores informações a respeito do Médicos Sem Fronteiras.