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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Voltando ao tema: sonhos...




Às vezes tenho sonhos em que estou tão integrada no contexto e numa vida tão diferente daquela que vivo no momento, que chego a pensar que se a morte for parecida com isso, não há o que temer. Digo isso pois a única coisa que ainda me deixa triste é saber que posso, de onde estarei, sentir saudade dos meus filhos e isso seria um castigo.
No sonho de hoje eu estava envolvida em um ambiente e enredo tão estranhos a tudo o que tenho vivido até então, que nem de longe traria qualquer lembrança dessa vida. Se a morte for assim, será apenas uma continuação com um outro roteiro, outro ego, outra condição, embora eu tenha percebido que em meus sonhos sempre estou metida em fatos em que tenho que correr atrás do que desejo e vários impedimentos vão acontecendo pelo caminho.
Dirão alguns: faça uma análise e isso ficará mais claro. Bobagem, pois na minha idade não me iludo em começar algum plano novo de vida. Estou feliz com a minha missão. Não desejo trocar de vida com ninguém, nem que me fosse oferecida a oportunidade. Talvez isso explique a teoria da reencarnação, mas até isso eu preciso ver com mais cuidado. Talvez precise ler um livro que vi no blog .http://odestinomarcaahora.blogspot.com.br/ . Gosto de me por à prova em assuntos metafísicos, até para encarar a vida como ela deve ser encarada.



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Capítulo 315 (Livro do Desassossego)





imagem da internet
Perder tempo comporta uma estética. Há, para os subtis nas sensações, um formulário da inércia que inclui receitas para todas as formas de lucidez. A estratégia com que se luta com a noção das conveniências sociais, com os impulsos dos instintos, com as solicitações do sentimento exige um estudo que qualquer mero esteta não suporta fazer.  A uma acurada etiologia dos escrúpulos deve seguir-se uma diagnose irónica das subserviências à normalidade. Há a cultivar, também, a agilidade contra as intrusões da vida; um cuidado (...) deve couraçar-nos contra sentir as opiniões alheias, e uma mole indiferença encamar-nos a alma contra os golpes surdos da coexistência com os outros.


(esse texto é muito importante , difícil segui-lo à risca, mas eu sou meio rebelde e estou quase chegando lá...)

O texto entre parêntesis (...) representa que no original o editor não conseguiu decifrar o que F.Pessoa queria dizer, pois sua caligrafia era às vezes, ilegível.


sábado, 4 de agosto de 2012

NO METRÔ






Aceitar as coisas surpreendentemente boas sabendo que não é para se fazer história daquilo. Curtir o instante. Enxergar aquela pessoa e ver apenas o que está sendo exposto, o que ela te oferece. Respeitar o momento de cada um, sabendo que o outro está num momento próprio que é diferente do seu. Agradecer por saber que há quem viva solidões parecidas às suas e mais ainda, perceber que para essa pessoa eu possa ter representado um momento agradável, se considerar o momento de despedida numa plataforma de metrô, onde ganhei um abraço e um sorriso cheio de carinho no olhar. Sem expectativas. Tudo muito verdadeiro.

Pensei que há anjos que nos acompanham por alguns momentos apenas para dar um toque de eternidade às nossas vidas.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

LAVAR A LOUÇA PODE NÃO SER TÃO RUIM ASSIM...




imagem da internet




Já vai longe o dia em que operei a coluna, quase uns 20 anos...

Mas hoje, ao lavar a louça do jantar passou-me uma vontade de deixar o serviço para depois e então lembrei-me de um fato ocorrido durante o tempo em que fiquei internada no hospital por ocasião da cirurgia,e tratei de mudar minha disposição de ânimo, o que fez com que lavasse toda a louça em questão de minutos.

Explico: o pós-operatório de qualquer cirurgia não é nada agradável e o meu foi bem doloroso, na cama, praticamente imóvel, sentindo uma forte dor por causa do corte e as consequências de terem retirado um disco da 5a. vértebra lombar que havia sido esmagado por causa de um tombo forte.

Enquanto eu me recuperava na cama do hospital, (naquela época eu ainda tinha plano de saude que me dava esse privilégio), ouvia os barulhos que vinham, não do quarto ao lado, mas da copa do andar onde eu me encontrava, cuja parede dava para a cabeceira da minha cama. Então o som do qual me lembro até hoje era de louça de café sendo lavada e colocada em escorredores de metal, eu sentia que era isso, mesmo sem ver, pelo tipo do barulho. Pois bem, esse barulho me fez refletir, naquela ocasião, que eu seria a pessoa mais feliz do mundo se pudesse estar lavando aquelas xícaras, pires e colherinhas naquela copa de hospital. Trocaria isso pela dor e fraqueza que o pós operatório havia me causado.

Mais tarde,quando já podia dar alguns passos no corredor, outro fato veio me servir como reflexão: via os limpadores de vidraça do hospital, pendurados em andaimes, com seus baldes e rodinhos e pensava com meus botões: que vontade de ir correndo lá e dizer a eles que sintam a felicidade que é ter saúde e poder trabalhar, poder produzir ...(eu me sentia um nada, um traste inútil caminhando em passinhos curtos como uma anciã).

E desde então, nunca mais me queixei de ter que lavar a louça!


sábado, 28 de julho de 2012

ESCREVO PARA MIM

Escrevo para mim. É um tipo de catarse. Uma forma de faxina mental. O que se acumula tem que ser liberado de tempos em tempos. Muitas vezes entro no blog para dizer uma coisa e acabo dizendo outra totalmente diferente. Mas não importa. Hoje tenho poucas chances de exteriorizar o que me vai na alma que não seja essa forma de canto que prezo muito e agradeço por me fazer sentir menos exaurida. E assim vou colocando letras que formam palavras que formam frases, que formam o texto que deve levar alguns a pensar que esse blog parece mais uma colcha de retalhos. Pois é isso: uma colcha de retalhos mentais. O importante é que esses retalhos ainda estão unidos numa colcha. Servem para cobrir quem tem frio. Geralmente me cubro com ela. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

NARCOLEPSIA+CATALEPSIA E AUTISMO







Ontem assisti a um programa na TV Discovery que muito me impressionou. Nunca tinha visto uma pessoa que sofresse de narcolepsia e catalepsia ao mesmo tempo. Havia também um outro homem que sofria de autismo. De comum entre esses dois indivíduos é que ambos possuem verdadeiros anjos da guarda a olharem por eles 24/7. Os dois devem estar na faixa de 45 anos e por tudo aquilo que passam e sofrem, milagre ainda estarem vivos e em relativa boa condição física.


Por que somos tão diferentes, se somos todos humanos? Essa pergunta ficou me rondando, pois achei que não deveria fazer parte da rotina de um ser humano, cair de sono como se caísse morto por um ataque fulminante do coração, isso a cada 5, 10 ou15 minutos. Dizem que quem sofre de narcolepsia dorme cerca de 18 horas por dia. Imaginem o que sobra de vida mais ou menos decente para essa pessoa? Fiquei horrorizada ao ver os hematomas ainda recentes, de tombos levados em locais totalmente inapropriados, como calçadas, asfalto, praças públicas. A irmã desse homem doente disse que nunca deixará de cuidar dele dia e noite. Fiquei filosofando que o karma dessa mulher talvez seja tão pesado quanto o dele.

O autista me assustou um pouco. Quem cuida dele é a mulher, que tem uma paciência de Jó, pois uma das características do autismo (eu não tinha a menor idéia) não é apenas ser uma pessoa calada, que não se comunica bem com os outros. Ao menos esse a que me refiro dava gritos, era violento, sabe o que está fazendo (ele mesmo declara isso) mas não consegue se controlar. O impulso é maior que o auto-controle. O homem ficava completamente fora de si  se às vezes algo não saía como ele desejava. E a "santa" mulher dele sempre bem humorada, cuidando para que  não se machucasse ou fosse agredido por alguém.

Aos dois está sendo administrado tratamento de última geração. Há até um tipo de computador feito especialmente para que  possam se comunicar e pelo jeito a coisa está resultando bem. Dizem (os dois homens doentes) que após escreverem o que sentem naquele momento, há uma descarga de tensão que faz com que se acalmem por algum tempo.

Filosofando sobre isso, há que se pensar que os planos cósmicos são inatingíveis por nossa inteligência. Não há o que possa justificar, perante os olhos humanos, uma pessoa viver uma vida de forma tão bizarra: um caindo como se fosse atingido por um raio, de 5 em 5 minutos  e o outro dando gritos e socos no ar por coisas totalmente fúteis aos olhos de quem passa a seu lado. Muitas pessoas se assustam e apressam o andar, pensando tratar-se de um demente, e outras passam longe do que sofre de narcolepsia+catalepsia, achando que ele está bêbado ou drogado. A irmã sempre junto a ele, já tem prática em rapidamente colocar seu próprio agasalho sob a cabeça do rapaz para que não se machuque durante aqueles minutos de sono pesado.


Vendo isso só ficou um pensamento em minha mente: O MUNDO NÃO É JUSTO!



sábado, 21 de julho de 2012

BANHO DE CONTAINER (AGORA EX)




Moro um apartamento cujo banheiro não me permite ter uma banheira. Quando criança havia no sobrado onde morávamos, uma banheira daquelas típicas de sobrados, mas que permitiam o que hoje considero um luxo. Era branca,  e o aquecimento a gás permitia uma água quentinha.Com o problema do espaço, apartamentos cada vez menores, os boxes mal dão direito a um corpo em pé para tomar sua chuveirada, e olhe lá.


Bem, procurei um jeito de ter algo em que pudesse "ficar de molho" por alguns minutos, colocar um óleo de banho e deixar a pele relaxar. Já tinha perdido a esperança, quando comentando o fato com meu filho mais novo ele disse: - mãe, e se vc usasse um container, desses que usávamos para guardar roupas na loja?




Trouxe o "pesadão" para casa e hoje fiz a experiência. É uma caixa de plástico reforçado, enorme, mas que só entrou no box passando por cima, pois pela porta, nem pensar...


E eis que acabei de tomar meu primeiro banho de container! E não é que foi uma delícia? Claro que não deu pra esticar o corpo, mas fazia em turnos, uma hora era o pescoço, tronco e abdomen e outra hora as pernas e pés. Coloquei um canecão de água fervendo para apressar o processo, mas o chuveiro esquenta bem e deu conta do recado. Minha sorte que sou magra e coube na caixa.
Fica aí uma idéia. Só há um problema, que já estou tentando resolver. Como esvaziar o container após o banho? Virar aos poucos não dá, pois cheio de água pesa toneladas. No futuro farei um furo próximo à base, adaptando um tipo de tampão. Por enquanto tive que esvaziá-lo com o canecão que usei para enchê-lo.


A idéia está lançada. Muita gente deve achar que sou maluca, que o trabalho não compensa, mas a sensação de relaxamento e de pele fresca e limpa não tem preço!!!


Já estou pensando qual será o óleo que escolherei para a próxima sessão...lavanda, eucalipto, alecrim, neroli? Isso vai ser a parte mais simples!


O texto acima sofrerá sérias modificações no texto abaixo. 


Explico:  meu banho de container ficará restrito a datas comemorativas: Ano Novo, Natal, Aniversário, etc...e o que vai prevalecer é o velho banho de chuveiro. 


Motivo: hoje deixei o container no box do banheiro para represar a água necessária que consumo num banho de chuveiro normal, apenas para comparar o consumo entre um banho de container e um banho de chuveiro. Confesso que não tenho coragem (não seria ecologicamente correto) e nem dinheiro para desperdiçar diariamente em tanta água e energia gastas num banho. Mas valeu por um dia, apenas para matar a saudade.


Já vai longe o tempo em que nem se sonhava que um banho com fartura de água seria proibitivo!!! Que peninha...