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quarta-feira, 21 de março de 2012

DAR MURRO EM PONTA DE FACA...NÃO MAIS!!!

 orchard with blossoming apricot trees - van gogh




Descubro que a cada dia me aperfeiçoo na arte de não dar murro em ponta de faca. Perceber o que se configura a uma certa distância é um privilégio! Confiar no universo, ter a certeza de que só tenho as experiências que preciso ter,  me leva a suportar todo o tipo de contrariedades (corretivos, censuras, etc.). Já fui chamada por alguém com quem tive o desprazer de conviver por muitos anos, de "pele fina". Fazer o que? Engrossar a pele? Nem tentei, nem tentarei. Ao menos procuro a forma que me parece a mais sensata de sobreviver a grosserias. Afasto-me. Não fujo, mas sigo por outra via, a passos tranquilos, mas firmes. Sei do que posso dar conta. Isso é muito bom! Costumava ser reativa. Agora retribuo com uma palavra gentil ao meu algoz. E ainda me sinto crescer com isso.

quarta-feira, 7 de março de 2012

CONJECTURAS...

Só consigo achar a vida bonita se acreditar num plano evolutivo, que embora inacessível a nós como somos no mundo das 3 dimensões, pode ocasionalmente ser vislumbrado por aqueles que têm o dom de transcender, ao menos por alguns instantes, o plano terrestre, e perceber que se o universo é tão grande, cheio de estrelas, planetas, sistemas, galáxias mil, por que a pretensão estúpida de que só o planeta Terra é habitado? Acordar enquanto é tempo é preciso, até para agradecer a possibilidade de um esforço maior e pagar adiantado pelo débito cósmico!

sábado, 3 de março de 2012

SOBRE OS AMIGOS



Relaxing bath

http://bitsandpieces.us/2012/03/03/relaxing-bath/

Você tem amigos? Bem, todos dirão: sim, tenho. Mas estou me referindo a AMIGO, e da maneira como entendo, talvez seja algo muito raro. Vou explicar melhor. Depois de uma conversa ao telefone com uma amiga, senti que da parte dela havia uma postura fria, quase profissional, característica de alguém que precisa usar de uma análise sem qualquer envolvimento emocional, quase como uma dissecadora de cadáveres, que apenas cuida para que cada peça seja bem isolada sem prejuizo algum das outras partes. Só que eu não estava consultando uma advogada (apesar de ela ser uma) nem uma filósofa...queria uma troca menos formal. Amigo é para relaxar!!!
Bem, hoje, analisando todos os poucos prováveis amigos que tenho, confesso que nenhum passou no grande teste. Por um motivo ou outro. Mas isso funciona apenas para mim, que sou muito transparente, ao menos com quem escolhi para ser meu amigo ou amiga. Como amizade é uma rua de mão dupla, quero transparência também!
A um comentário meu sobre um assunto que teria 90% de chances de ser configurado como X, a pessoa em questão deixou a desejar quando resvalou no assunto, como se não quisesse emitir opinião. AMIGO É PRA EMITIR OPINIÃO, sim, nem que seja diferente da sua, mas não pode ficar naquele território nebuloso, como um limbo, onde não está claro se a pessoa concorda ou não com você. Posso ser exigente, mas fico imaginando se nossas posições fossem trocadas, acharia ela muito natural eu ser assim, morna, vacilante? Vejo que meus amigos e amigas até agora não "vestiram a camisa" por mim. Só meus filhos e minha tia. Mas parente não vale aqui. Só amigo. Então ainda não tenho amigos ou amigas verdadeiros! Por essas e outras as pessoas arranjam um cachorro.
Vivendo e aprendendo...

sábado, 11 de fevereiro de 2012


 
 Solitary Traveler - Nicholas Roerich (tela de)

Acabei de chegar de um lugar que evito frequentar, mas que a essa hora era a única alternativa para arriscar o jogo da mega sena.
Ao entrar em casa, ainda sob efeito da muvuca dos lugares muito frequentados, respirei fundo e abençoei a paz doméstica. Adoro chegar em casa. Nunca me sinto desconfortável dentro do silêncio. Mas queria falar sobre outra coisa, uma impressão que me chegou depois desse contraste entre a balbúrdia e o silêncio.

Sem pretensão de ser dona da verdade, acredito que temos apenas as experiências que precisamos. Ou nos servem como aprendizado, ou para  que possamos transmitir algo. Talvez façam parte do nosso processo evolutivo e interagir com as pessoas é condição necessária ao processo. Para quem já dobrou o Cabo da Boa Esperança e aprendeu a não esperar por esse ou aquele acontecimento, perceber que os relacionamentos escasseiam leva-me a algumas reflexões. Será que estou usufruindo de "férias cósmicas", dado que já me foi oferecida uma dose relativamente alta de desafios junto "ao outro" e agora estou em descanso, ou é esse  o desafio maior: procurar dentro de mim mesma a mais abençoada de todas as experiências: conhecer a verdadeira natureza da alma que me habita.
Lembro-me que desde muito criança, gostava de refletir sobre tudo. Precisava de um certo recolhimento para isso, o que mais tarde gerou problemas em família. Meu avô, o único que me compreendia, chamava-me de "anacoreta", e tive que consultar o dicionário para saber o significado de palavra tão estranha.

Com o tempo vamos nos conhecendo melhor e sabendo a que altura podemos voar. Quais as características de vôo que podemos encarar sem gerar grandes estragos. Não tenho o menor pudor em mostrar minha cara, como ela está agora: não faço concessões apenas para "não ficar chato". Preciso ter todo o meu ser presente na atividade que esteja praticando no momento, e aí sim, posso compartilhar seja o que for. Mas não venham me enfiar goela abaixo coisas que já não me fascinam, apenas para preencherem seu tempo com amenidades. Estou fora disso. Meu tempo está cada vez mais escasso e mais precioso!



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MEUS AMIGOS, OS LIVROS!

Quando não há UM SÓ programa na TV que interessa, nada como ter um livro recém chegado, de um escritor que eu gosto muito, Vergílio Ferreira. O livro chama-se Até ao Fim. Vou aninhar-me e viajar por suas páginas. Abençoado o dia em que minha mãe incentivou-me na leitura, aos 6 anos de idade. Desde então não encontrei ainda melhores amigos do que alguns escritores queridos, que me fazem companhia quando necessito deles!





imagem: daqui

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Futurologia

Do jeito como andam as coisas dá pra sentir que o futuro parece mais próximo agora do que antes. Percebe-se que o que vem pela frente não é nada fácil de se elaborar. Hoje em dia é possivel a qualquer um arriscar-se a futurólogo, sente-se que estamos penetrando no futuro como se tivéssemos dons especiais. Mas não é isso. É que as evidências são tantas e tão fortes que chegam a invadir o presente, por não caberem no tempo que virá. O futuro, como um doente que não se contém em seu leito, precisa invadir o agora, como um intruso indesejado, para mostrar sua cara insana a todos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

PRECOCIDADE





A certa idade, que varia segundo as pessoas mas que se situa por volta dos quarenta, a vida começa a parecer-nos insípida, lenta, estéril, sem atractivos, repetitiva, como se cada dia não fosse senão o plágio do anterior. Algo em nós se apaga: entusiasmo, energia, capacidade de fazer planos, espírito de aventura ou simplesmente apetite de prazer, de invenção ou de risco. É o momento de fazer uma paragem, reconsiderar a vida sob todos os seus aspectos e tentar tirar partido das suas fraquezas. Momento de suprema eleição, pois trata-se, na realidade, de escolher entre a sabedoria e a estupidez.

Julio Ramón Ribeyro, in Prosas Apátridas, trad. Tiago Szabo, Edições Ahab, Abril de 2011, p. 67.
 

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