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domingo, 28 de agosto de 2011

RESGATANDO O PRAZER DAS COISAS...

(eu com 2 anos)


Quero achar o significado das coisas do jeito que uma criança faz: sem pensar, sem definir, sem refletir sobre;  apenas pelo prazer que a coisa em si oferece.
Procurar lembrar das coisas que me davam prazer na infância, coisas simples. Há sensação melhor que essa? Aos poucos vou recuperando essa maneira de viver. É a que mais me preenche!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Vida, uma inquietação

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Claricer Lispector



Sou o que se chama de uma pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu em vez de refletir sobre o que veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: as vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, as vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos...E até que ponto posso controlá-los...Deverei continuar a acertar e errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob forma de impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.



(Clarice Lispector)



ver texto aqui

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

KAFKA

Um irmão de alma, uma alma irmã, enfim...divido com vocês um precioso site:


http://www.kafka.org/

pragueclock (imagem do site acima)












«Theoretically there is a perfect possibility of happiness: believing in the indestructible element in oneself and not striving towards it.»



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

TIRE SUA SENHA E AGUARDE SUA VEZ...

Enquanto esperava ser atendida num local onde se tem que pegar uma senha, vi que teria de aguardar bastante: minha senha era no. 5430 e estavam chamando a 5398. Havia um sinal sonoro a cada vez que o painel mostrava um novo número, sendo várias as séries, algumas começando com 5000, 4000,  3000, dependendo do caso.

Esperei por mais de uma hora (exatamente 1h00 e 0h15) enquanto filosofava sobre a vida.

Na vida você não tem sossego. Nunca. Como nessa sala de senhas. Sempre há a necessidade de se ficar alerta, nunca se pode relaxar em paz. O toque constante para avisar a nova senha perturba nosso sossego. Mesmo sabendo que ainda vai demorar para chegar sua vez, há uma urgência  em olhar o número mostrado no luminoso, o medo de que sua vez passe, e isso se repete a cada 10 segundos, a cada vez que uma das séries é mostrada.

Essa é a vida: sua senha já foi distribuida. Aguarde sua vez...

domingo, 14 de agosto de 2011

OBRA ÉDITA - FERNANDO PESSOA

«Não cites Fernando Pessoa em vão.»
Cumpre-me agora dizer que espécie de homem sou. - T


Cumpre-me agora dizer que espécie de homem sou.


Não importa o meu nome, nem quaisquer outros pormenores externos que me digam respeito. É acerca do meu carácter que se impõe dizer algo.


Toda a constituição do meu espírito é de hesitação e dúvida. Para mim, nada é nem pode ser positivo; todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, incerto para mim próprio. Tudo para mim é incoerência e mutação. Tudo é mistério, e tudo é prenhe de significado. Todas as coisas são «desconhecidas», símbolos do Desconhecido. O resultado é horror, mistério, um medo por demais inteligente.


Pelas minhas tendências naturais, pelas circunstâncias que rodearam o alvor da minha vida, pela influência dos estudos feitos sob o seu impulso (estas mesmas tendências) — por tudo isto o meu carácter é do género interior, autocêntrico, mudo, não auto-suficiente mas perdido em si próprio. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu carácter consiste no ódio, no horror da e na incapacidade que impregna tudo aquilo que sou, física e mentalmente, para actos decisivos, para pensamentos definidos. Jamais tive uma decisão nascida do auto-domínio, jamais traí externamente uma vontade consciente. Os meus escritos, todos eles ficaram por acabar; sempre se interpunham novos pensamentos, extraordinárias, inexpulsáveis associações de ideias cujo termo era o infinito. Não posso evitar o ódio que os meus pensamentos têm a acabar seja o que for; uma coisa simples suscita dez mil pensamentos, e destes dez mil pensamentos brotam dez mil inter-associacões, e não tenho força de vontade para os eliminar ou deter, nem para os reunir num só pensamento central em que se percam os pormenores sem importância mas a eles associados. Perpassam dentro de mim; não são pensamentos meus, mas sim pensamentos que passam através de mim. Não pondero, sonho; não estou inspirado, deliro. Sei pintar mas nunca pintei, sei compor música, mas nunca compus. Estranhas concepções em três artes, belos voos de imaginação acariciam-me o cérebro; mas deixo-os ali dormitar até que morrem, pois falta-me poder para lhes dar corpo, para os converter em coisas do mundo externo.


O meu carácter é tal que detesto o começo e o fim das coisas, pois são pontos definidos. Aflige-me a ideia de se encontrar uma solução para os mais altos, mais nobres, problemas da ciência, da filosofia; a ideia que algo possa ser determinado por Deus ou pelo mundo enche-me de horror. Que as coisas mais momentosas se concretizem, que um dia os homens venham todos a ser felizes, que se encontre uma solução para os males da sociedade, mesmo na sua concepção — enfurece-me. E, contudo, não sou mau nem cruel; sou louco, e isso duma forma difícil de conceber.


Embora tenha sido leitor voraz e ardente, não me lembro de qualquer livro que haja lido, em tal grau eram as minhas leituras estados do meu próprio espírito, sonhos meus — mais, provocações de sonhos. A minha própria recordação de acontecimentos, de coisas externas, é vaga, mais do que incoerente. Estremeço ao pensar quão pouco resta no meu espírito do que foi a minha vida passada. Eu, um homem convicto de que hoje é um sonho, sou menos do que uma coisa de hoje.



Minha nota:
acredito que existam almas gêmeas, sim. No entanto nem sempre estão vivendo no mesmo tempo que nós. Às vezes já se foram, mas fica a sua essência, e é com ela que nos identificamos. Pessoa, Kafka, Clarice, entendo-os com uma facilidade que só pode ser coisa de alma gêmea. Na vida não encontrei essas almas que, talvez pelo fato de não ter havido Prozac na época em que viveram esses seres extraordinários, (que provavelmente teriam se beneficiado desse aliviador de tensões mas ao mesmo tempo mascarador de almas) podemos ter hoje acesso a seus mais profundos pensamentos. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011


Resultado de imagem para arroz



Ao comer o arroz que geralmente faz parte do cardápio do meu almoço diário, fiquei penalizada pelos japoneses, que têm esse cereal como ingrediente principal de sua alimentação. O arroz deles, em muitos locais do Japão, já está comprometido pela radioatividade. O nosso aqui por enquanto parece que sofre apenas com os agrotóxicos!