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domingo, 14 de agosto de 2011

OBRA ÉDITA - FERNANDO PESSOA

«Não cites Fernando Pessoa em vão.»
Cumpre-me agora dizer que espécie de homem sou. - T


Cumpre-me agora dizer que espécie de homem sou.


Não importa o meu nome, nem quaisquer outros pormenores externos que me digam respeito. É acerca do meu carácter que se impõe dizer algo.


Toda a constituição do meu espírito é de hesitação e dúvida. Para mim, nada é nem pode ser positivo; todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, incerto para mim próprio. Tudo para mim é incoerência e mutação. Tudo é mistério, e tudo é prenhe de significado. Todas as coisas são «desconhecidas», símbolos do Desconhecido. O resultado é horror, mistério, um medo por demais inteligente.


Pelas minhas tendências naturais, pelas circunstâncias que rodearam o alvor da minha vida, pela influência dos estudos feitos sob o seu impulso (estas mesmas tendências) — por tudo isto o meu carácter é do género interior, autocêntrico, mudo, não auto-suficiente mas perdido em si próprio. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu carácter consiste no ódio, no horror da e na incapacidade que impregna tudo aquilo que sou, física e mentalmente, para actos decisivos, para pensamentos definidos. Jamais tive uma decisão nascida do auto-domínio, jamais traí externamente uma vontade consciente. Os meus escritos, todos eles ficaram por acabar; sempre se interpunham novos pensamentos, extraordinárias, inexpulsáveis associações de ideias cujo termo era o infinito. Não posso evitar o ódio que os meus pensamentos têm a acabar seja o que for; uma coisa simples suscita dez mil pensamentos, e destes dez mil pensamentos brotam dez mil inter-associacões, e não tenho força de vontade para os eliminar ou deter, nem para os reunir num só pensamento central em que se percam os pormenores sem importância mas a eles associados. Perpassam dentro de mim; não são pensamentos meus, mas sim pensamentos que passam através de mim. Não pondero, sonho; não estou inspirado, deliro. Sei pintar mas nunca pintei, sei compor música, mas nunca compus. Estranhas concepções em três artes, belos voos de imaginação acariciam-me o cérebro; mas deixo-os ali dormitar até que morrem, pois falta-me poder para lhes dar corpo, para os converter em coisas do mundo externo.


O meu carácter é tal que detesto o começo e o fim das coisas, pois são pontos definidos. Aflige-me a ideia de se encontrar uma solução para os mais altos, mais nobres, problemas da ciência, da filosofia; a ideia que algo possa ser determinado por Deus ou pelo mundo enche-me de horror. Que as coisas mais momentosas se concretizem, que um dia os homens venham todos a ser felizes, que se encontre uma solução para os males da sociedade, mesmo na sua concepção — enfurece-me. E, contudo, não sou mau nem cruel; sou louco, e isso duma forma difícil de conceber.


Embora tenha sido leitor voraz e ardente, não me lembro de qualquer livro que haja lido, em tal grau eram as minhas leituras estados do meu próprio espírito, sonhos meus — mais, provocações de sonhos. A minha própria recordação de acontecimentos, de coisas externas, é vaga, mais do que incoerente. Estremeço ao pensar quão pouco resta no meu espírito do que foi a minha vida passada. Eu, um homem convicto de que hoje é um sonho, sou menos do que uma coisa de hoje.



Minha nota:
acredito que existam almas gêmeas, sim. No entanto nem sempre estão vivendo no mesmo tempo que nós. Às vezes já se foram, mas fica a sua essência, e é com ela que nos identificamos. Pessoa, Kafka, Clarice, entendo-os com uma facilidade que só pode ser coisa de alma gêmea. Na vida não encontrei essas almas que, talvez pelo fato de não ter havido Prozac na época em que viveram esses seres extraordinários, (que provavelmente teriam se beneficiado desse aliviador de tensões mas ao mesmo tempo mascarador de almas) podemos ter hoje acesso a seus mais profundos pensamentos. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011


Resultado de imagem para arroz



Ao comer o arroz que geralmente faz parte do cardápio do meu almoço diário, fiquei penalizada pelos japoneses, que têm esse cereal como ingrediente principal de sua alimentação. O arroz deles, em muitos locais do Japão, já está comprometido pela radioatividade. O nosso aqui por enquanto parece que sofre apenas com os agrotóxicos!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

APRENDENDO COM OS SONHOS...

foto daqui




Nunca é tarde para se aprender mais e mais. E o meu tipo predileto de aprendizado é quando consigo captar algo sobre mim mesma, que me ajude a entender melhor e saber lidar com uma dificuldade que cause um certo transtorno no viver. Viver bem é tudo o que eu quero. Comigo tem acontecido um fato relativamente novo, que é o de sonhar de forma mais intensa, lembrar-me do sonho e descobrir a mensagem oculta em seu conteúdo.
Hoje, por exemplo, acordei sentindo a nítida sensação de que uma importante mensagem me foi revelada: NÃO CONTE COM NINGUÉM PARA AJUDÁ-LO A REALIZAR SUAS TAREFAS. Isso não quer dizer que vou me tornar uma pessoa auto-suficiente e desprezar uma ajuda oferecida na hora oportuna, por alguém que demonstre boa vontade em colaborar comigo. Mas a ajuda tem que acabar aí. Se minha tarefa é mais longa tenho que contar comigo, pois ninguém tem obrigação de seguir o caminho a meu lado em missões que só a mim foram dadas executar.
Hoje sonhei o seguinte: estava numa firma trabalhando e uma colega deu-me a chance de ficar no lugar dela durante suas férias, já que havia falado com o chefe e ele concordou. Bem, ela ocupava um cargo super importante numa multinacional e seu chefe era o presidente da empresa, um americano que precisava de tudo para "ontem" (quero fazer um parênteses e dizer que a vida toda trabalhei como secretária executiva de multinacionais, sempre em cargo de vice-presidência, sendo que nas duas últimas firmas tive a chance de substituir a secretária do presidente por motivo de férias dela, até que chegou a chance de eu ocupar dali em diante o cargo de secretária do presidente). Acontece que parei de trabalhar em 1994, hoje sou aposentada e o sonho de ontem tem tudo a ver com aqueles tempos. Para quem tiver a curiosidade de ler essa longa dissertação, vamos lá....Em meu sonho dessa noite passada, estava eu para substituir a secretária que ia de férias e ela me passou um calhamaço de papel que teria que ser copiado em uma máquina super moderna, recém chegada na firma, que ninguém ainda sabia manusear, a não ser ela. Bem, aprendi o manejo e comecei o trabalho, sendo que minha colega estava ao meu lado. Na hora em que ia encerrar a tarefa, faltando uma última folha, percebi que a máquina não aceitava o comando e ela disse que para encerrar a cópia havia um comando especial que iria me ensinar. Só que nesse exato momento ela recebeu um telefonema dizendo que o sobrinho havia sido sequestrado e me deixou, saindo correndo por um caminho que se transformou em um quase charco, cheio de buracos, por onde ela conseguiu atravessar com facilidade. Já eu saí correndo atrás dela, na tentativa de ao menos ser informada verbalmente como faria para finalizar meu trabalho com as cópias. Só que eu estava de salto alto e a todo momento enganchava o salto nas irregularidades do terreno e cada vez me afastava mais da secretária. Resultado: não consegui terminar a tarefa. Não sei o que iria acontecer comigo, pois a cena seguinte do sonho foi mais problemática ainda: para eu me dirigir ao local de meu trabalho tinha que seguir por um caminho onde havia um tipo de labirinto formado por uma cerca de arame onde eu entrava mas não conseguia achar a saída. Os meus colegas que passavam por ali tentavam me ajudar e eu tinha que dar marcha ré e recomeçar o caminho. Minhas roupas ficaram rasgadas  pelo esforço de passar nos arames. Finalmente cheguei à minha sala e "meu chefe provisório" foi muito amável, sabendo das minhas dificuldades para chegar até lá. (não me perguntem como ele soube...rsrs)

A mim ficou claro que, apesar da boa vontade das pessoas, sempre pode acontecer um fato que faça com que a pessoa que está me ajudando fique impedida de continuar a fazê-lo. Por essas razões tenho que contar comigo e o melhor a fazer é entrar de cabeça em toda e qualquer situação, prestando toda a atenção possível, enquanto posso.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Tudo está na mente, a não ser o que a transcende...mas até para se saber o que é transcendência da mente, necessita-se dela para raciocinar a respeito. Claro que se houver uma experiência em estado alterado de consciência, em que se vive algo quase que impossivel de definir e explicar (porque para isso teríamos que usar a mente) a coisa fica como o dito pelo não dito, pois é mesmo tarefa fora de nosso alcance transmitirmos com fidelidade a experiência obtida num estado de não-mente. Acontece com muitas pessoas esse tipo de experiência, comigo já duas vezes e nem me atrevo a descrever o que foi isso. O que eu gostaria de compartilhar, no entanto,  é uma idéia que me veio hoje ao acordar, após um sonho repleto de ocorrências - a maioria muito agradáveis! -  em que fiquei na dúvida se, nos sonhos, transcendemos de alguma forma nossa consciência do dia a dia, ou se ainda estamos no terreno da mente, embora vivendo experiências totalmente diferentes de nossa rotina e vida em vigília. Digo isso porque tenho sentido uma diferença marcante em meu psiquismo ultimamente. Problemas psico-somáticos que venho carregando há 30 anos começam, de maneira surpreendente, a se dissipar. Tenho sonhado de maneira mais intensa que o usual e nos sonhos aparecem cenas que dão a impressão de serem escolhidas a dedo para me colocarem frente a situações que de outra forma não poderia visualisar (nem através da memória) e consequentemente, tentar refletir sobre o conteúdo delas para uma posterior libertação de certos traumas de infância.

Se alguém quiser compartilhar alguma idéia sobre o tema, fique à vontade. Esses assuntos sempre dão pano pra manga...


foto:aqui

MAIS SOBRE SONHOS...


(em protesto contra o google, que está removendo minhas fotos aqui no blog, quero apenas dizer que as imagens que coloco são públicas e eu sempre escrevo abaixo da foto que a imagem é da internet.Muito antipática essa prática do google. Deixo isso aqui registrado para futuras referências)



Poupo meus amigos de lerem sobre mais um de meus sonhos em detalhes, mas apenas queria registrar em poucas palavras que a noite passada vai ficar em minha memória como uma das mais pródigas em experiências oníricas! Nem se eu tivesse tomado LSD talvez tivesse tido uma vivência tão intensa, fascinante e repleta de eventos fantásticos! Coloco a foto de um passarinho para dar uma idéia de uma das etapas do sonho, em que um passarinho semelhante a esse me fez companhia e interagiu de maneira surpreendente. Senti o que pode ser definido como a verdadeira amizade entre um ser humano e um animal, no caso uma frágil avezinha. As outras inúmeras fases do sonho foram igualmente fantásticas, mas como já disse aqui, vou poupá-los!

sábado, 30 de julho de 2011

menino que fere árvores





Caminho sempre num parque perto da minha casa. Ontem assisti a uma cena que me deixou alterada. Contei até 10 e tomei uma atitude. Não dava para me omitir.

Vi um garoto (de uns 12/13 anos) com uma garota um pouco mais nova, munido de um tipo de espeto de ferro na mão, fazendo verdadeiras "feridas" em cada tronco de árvore que achasse pelo caminho. Aquilo me doeu! Cheguei junto ao garoto e perguntei se estava na escola e se a professora já havia explicado como funciona a vida de uma árvore, porque  agora ele  iria escutar:  disse que a seiva dentro do tronco é como se fosse o sangue dentro das nossas veias. Aí fui cruel: perguntei se gostaria que eu pegasse o ferro e espetasse em sua pele até furar uma veia."Não? Que pena, senão iria fazer o teste agora mesmo!" O garoto ficou mudinho da silva. e eu com uma vontade de dar-lhe um cascudo.
Li num blog outro dia que a criança tem um instinto de maldade que só vai ficando mais disfarçado com o tempo e o convívio social, educação recebida, etc. Mas esse instinto ruim às vezes é muito forte e vem à tona. Nos meninos é mais aparente essa agressividade. Mas as meninas também têm sua forma de extravasar a maldade: já vi muita garotinha furar os olhos de suas bonecas (que para elas são como seres humanos). 
Lembro-me de um primo, quando íamos eu, minha irmã, as primas e ele passar férias numa fazenda perto de São João da Boa Vista. Ele era o mais novo da turma, devia ter uns 9, 10 anos e costumava aprontar as suas. Adorava cutucar o traseiro das galinhas para apressar a postura dos ovos. E outras cositas mais que nem tenho coragem de contar...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

UM SONHO




Essa noite sonhei que estava na festa do meu aniversário. Era um local que nunca vi antes, uma mistura de salão de festas com loja de doces. Imenso. Havia muitas pessoas e na entrada à direita era "o caixa", para o caso de alguém querer comprar algum bolo ou doce. As pessoas organizaram minha festa em um salão dentro desse local, com uma grande mesa de banquete, onde todos se sentavam para começar a se servir. Não havia pratos salgados. Só doces. Maravilhosos. Eu trouxe de casa um grande bolo que foi decorado por confeiteiros que trabalhavam nesse local. Em determinado momento, ao circular entre as pessoas, peguei um copo de iogurte misturado com sorvete (tipo frozen iogurte) que não cheguei nem a experimentar, pois perdi em algum canto, e até o final do sonho não consegui encontrar mais. Vi-me com cabelo tingido de preto e que necessitava pentear-me, mas não conseguia encontrar um pente. Tentei ajeitar os cabelos com as mãos. Antes de sentar-me à mesa com as pessoas, percebi que um rapaz de blusão laranja rosado, se dirigiu ao caixa com um prato de 1/2 bolo, e fez menção de sair sem pagar. Ao me ver ele mudou totalmente de atitude. Desistiu de seu intento, dirigiu-se à mesa onde estavam os convidados, e ao passar por mim com o prato de bolo que tencionava levar, deu-me um sorriso amistoso. Eu sentei-me à mesa e deveria comer com as pessoas. Estranho que só havia doces (e eu que sou diabética não me lembro de ter provado um doce sequer). No final, as copeiras desse salão começaram a tirar os pratos, copos e talheres da mesa e num determinado momento eu resolvi ajudar as copeiras, tirando meu prato e copo e levando à cozinha. Só eu fiz isso e não reparei se as pessoas acharam estranha a minha atitude, já que a festa era por causa do meu aniversário e havia pessoal contratado para o serviço de copa. Mas ninguém falou nada.

Esse sonho me deu várias dicas. Estou ainda metabolizando alguns fatos mais marcantes. Talvez volte a comentar alguma coisa. Aceito pitacos rsrs.