Assim está a Praia Grande, hoje, no litoral sul de São Paulo. E o povo adora!!! Passa 4 horas na estrada numa viagem que duraria 1 hora normalmente, e nem acha ruim. Eu não consigo entender, sinceramente, mas respeito o gosto de cada um. Eles também detestariam minha escolha. Cada vez mais quero paz e pouco barulho!
sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Esperando a química mudar...
Posso dizer por mim e mesmo assim é difícil explicar. Às vezes sinto que há algo meio pesado dentro da minha alma (ou cabeça) que me impede de fluir como gostaria. Não é propriamente uma tristeza, um abatimento, é mais uma interferência que não sei localizar. Algo sutil, não chega a tomar corpo. Apenas mexe na velocidade, na fluidez da energia. O que fazer nesse momento?
Tomar consciência disso e não fazer nada. Mas talvez um recado insidioso já comece a tomar rumo para modificar tudo. E sem motivo aparente ou qualquer coisa que chegue de fora para dentro, a química muda! Não aconteceu nada de palpável, mas a química mudou.
Fiquei aqui matutando: se metade dos suicidas apenas esperassem que a química mudasse, teriam desistido da idéia de acabar com a vida. Não é que ela se torne cor de rosa com bolinhas azuis. É que ela fica mais leve, de repente. E nessa leveza chega uma nova disposição de tocar o barco. Então coloquei aqui a foto de um barquinho, para ilustrar o recomeço.
domingo, 3 de abril de 2011
AFINAL
Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente, Porque todas as coisas são,
em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.
Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas, Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso,
dispersadamente atento, Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.
Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,
Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda!
Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito,
reparam com uma tristeza nobre
para os meus olhos abertos que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.
Sursum corda!
Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,
Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça. (...)
Álvaro de Campos
segunda-feira, 14 de março de 2011
(havia escrito há alguns meses, publico hoje, embora não represente fielmente meu estado de espírito do dia)
Ando meio displicente, mas vou apenas dizer que a vida tem me levado por outras direções, então não sou dona total de organizar meu dia-a-dia assim ou assado. Vou descobrindo outras coisas pelos caminhos que se apresentam, procurando aprender cada vez mais um pouco, ao menos a conviver com minha pessoa para então conviver melhor com outros...e tenho conseguido uma compreensão relativa de tudo. No final, tudo faz sentido. Apenas em poucos instantes na vida temos esse insight. Vivemos achando que algo está errado. Não está errado. Está tudo certinho. Temos apenas as experiências que precisamos ter.
um poema
EPÍGRAFE
poema de
EUGÉNIO DE CASTRO
Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...
Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...
(in «Antologia», Introdução, Selecção e bibliografia de Albano Martins, Imprensa-Nacional Casa da Moeda,
Lisboa, 1987)
http://garatujando.blogs.sapo.pt/
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