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quinta-feira, 14 de abril de 2011

estava devendo uma foto

Prometo que vou atualizar minha imagem. Esta é de 2008, a foto mais "recente" que tirei. Hoje estou 3 anos mais  enrugada ...

domingo, 3 de abril de 2011

AFINAL



Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente, Porque todas as coisas são,
em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.



Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas, Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso,
dispersadamente atento, Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.



Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,

Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda!
Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito,
reparam com uma tristeza nobre
para os meus olhos abertos que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.

Sursum corda!
Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,
Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça. (...)

Álvaro de Campos

segunda-feira, 14 de março de 2011


(havia escrito há alguns meses, publico hoje, embora não represente fielmente meu estado de espírito do dia)
Ando meio displicente, mas vou apenas dizer que a vida tem me levado por outras direções, então não sou dona total de organizar meu dia-a-dia assim ou assado. Vou descobrindo outras coisas pelos caminhos que se apresentam, procurando aprender cada vez mais um pouco, ao menos a conviver com minha pessoa para então conviver melhor com outros...e tenho conseguido uma compreensão relativa de tudo. No final, tudo faz sentido. Apenas em poucos instantes na vida temos esse insight. Vivemos achando que algo está errado. Não está errado. Está tudo certinho. Temos apenas as experiências que precisamos ter.










 

um poema



EPÍGRAFE


poema de


EUGÉNIO DE CASTRO








Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...


Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...






(in «Antologia», Introdução, Selecção e bibliografia de Albano Martins, Imprensa-Nacional Casa da Moeda,
Lisboa, 1987)







http://garatujando.blogs.sapo.pt/

sábado, 19 de fevereiro de 2011






Às vezes gosto de sair a pé, para passear à noite, quando há uma bela lua cheia no céu e a temperatura está agradável. Como hoje, por exemplo. Fui de carro fazer uma compra agora mesmo e no caminho percebi algo que me deixou triste e revoltada: nessa cidade onde moro não há um só local onde se possa dar uma volta à pé, tomar um sorvete, encontrar pessoas como nós, passeando e jogando conversa fora. Ou você se enfia num barzinho, ou fica entocada no apartamento, isolada de tudo e de todos.


Acho que o povo daqui não sente falta do que eu sinto. Talvez por haver nascido e morado em Santos por 23 anos, costumava passear na calçada que beira a orla marítima e chegava em casa com aquela sensação boa de energia renovada. Mas as pessoas daqui nunca se preocuparam em criar uma área onde se possa ter um lazer noturno sem risco de ser assaltado na primeira esquina.


Será que o prefeito não tem imaginação? Acho que vou mandar uma cópia a ele.


Na semana que vem vou a Santos, sem falta. Uma outra lua dessas ou até uma meia-lua não me pegam mais dentro do apartamento!

domingo, 13 de fevereiro de 2011


Passei praticamente o domingo inteiro lendo Fernando Pessoa. Estou em modificado estado de consciência, profundamente tocada pelo conteúdo de sua escrita, em O Livro do Desassossego.

Interrompi a leitura para dizer que sinto-me privilegiada em haver nascido numa terra onde se fala o idioma Português, porque ler Pessoa no original é para poucos. Por melhor que esse livro seja traduzido acredito que algo se perde numa tradução. As metáforas de Pessoa são quase divinas! Tenho vontade de emendar a leitura com o sono, apenas para não passar pelo estágio da vida comum. Ler esse livro tem me feito um bem imenso, mergulho na alma de todos os homens de maneira mais acertada, como se tivesse acabado de aprender a nadar muito bem e pudesse atravessar, de uma margem a outra, um rio onde antes nunca havia me aventurado a botar os pés!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

quanta coisa para se viver ao mesmo tempo...




Ainda bem que eu acredito em reencarnação. De outra forma estaria perdida e infeliz.
Ao voltar para casa hoje à tarde, de repente tive um insight sobre como é difícil no mundo de hoje, as pessoas controlarem o desejo de viverem de tudo ao mesmo tempo, com medo de estarem perdendo justamente o que poderia ser o melhor, o mais importante para se sentir "no mundo". É inevitável. Ouvindo o rádio, alguém fala de um programa de computador que faz coisas que até Deus duvida e o melhor - já está disponível para cada um de nós - a um preço que promete logo logo ser bem acessível. E aí o cidadão já se sente um pouco infeliz se não puder ter aquele treco de última hora (de última geração nem se cogita mais...).

Então, repito: ainda bem que acredito em reencarnação: peço todos os dias que continue de onde parei. Claro que não vou pedir para não pagar pelos meus pecados, mas juro que não quero nascer numa época "pra trás" (acho que isso está fora do regulamento do após-vida). Gosto de comunicação, seria a mais infeliz das mulheres se morasse num local onde não pudesse trocar informações. Mas aí eu já acho que estou pedindo muito. Depois que eu me for, o ego acaba e nascerei num corpo com outro ego e quem sabe até na pele de um aldeão que nunca viu nada melhor que um radinho de pilha...