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segunda-feira, 14 de março de 2011


(havia escrito há alguns meses, publico hoje, embora não represente fielmente meu estado de espírito do dia)
Ando meio displicente, mas vou apenas dizer que a vida tem me levado por outras direções, então não sou dona total de organizar meu dia-a-dia assim ou assado. Vou descobrindo outras coisas pelos caminhos que se apresentam, procurando aprender cada vez mais um pouco, ao menos a conviver com minha pessoa para então conviver melhor com outros...e tenho conseguido uma compreensão relativa de tudo. No final, tudo faz sentido. Apenas em poucos instantes na vida temos esse insight. Vivemos achando que algo está errado. Não está errado. Está tudo certinho. Temos apenas as experiências que precisamos ter.










 

um poema



EPÍGRAFE


poema de


EUGÉNIO DE CASTRO








Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...


Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...






(in «Antologia», Introdução, Selecção e bibliografia de Albano Martins, Imprensa-Nacional Casa da Moeda,
Lisboa, 1987)







http://garatujando.blogs.sapo.pt/

sábado, 19 de fevereiro de 2011






Às vezes gosto de sair a pé, para passear à noite, quando há uma bela lua cheia no céu e a temperatura está agradável. Como hoje, por exemplo. Fui de carro fazer uma compra agora mesmo e no caminho percebi algo que me deixou triste e revoltada: nessa cidade onde moro não há um só local onde se possa dar uma volta à pé, tomar um sorvete, encontrar pessoas como nós, passeando e jogando conversa fora. Ou você se enfia num barzinho, ou fica entocada no apartamento, isolada de tudo e de todos.


Acho que o povo daqui não sente falta do que eu sinto. Talvez por haver nascido e morado em Santos por 23 anos, costumava passear na calçada que beira a orla marítima e chegava em casa com aquela sensação boa de energia renovada. Mas as pessoas daqui nunca se preocuparam em criar uma área onde se possa ter um lazer noturno sem risco de ser assaltado na primeira esquina.


Será que o prefeito não tem imaginação? Acho que vou mandar uma cópia a ele.


Na semana que vem vou a Santos, sem falta. Uma outra lua dessas ou até uma meia-lua não me pegam mais dentro do apartamento!

domingo, 13 de fevereiro de 2011


Passei praticamente o domingo inteiro lendo Fernando Pessoa. Estou em modificado estado de consciência, profundamente tocada pelo conteúdo de sua escrita, em O Livro do Desassossego.

Interrompi a leitura para dizer que sinto-me privilegiada em haver nascido numa terra onde se fala o idioma Português, porque ler Pessoa no original é para poucos. Por melhor que esse livro seja traduzido acredito que algo se perde numa tradução. As metáforas de Pessoa são quase divinas! Tenho vontade de emendar a leitura com o sono, apenas para não passar pelo estágio da vida comum. Ler esse livro tem me feito um bem imenso, mergulho na alma de todos os homens de maneira mais acertada, como se tivesse acabado de aprender a nadar muito bem e pudesse atravessar, de uma margem a outra, um rio onde antes nunca havia me aventurado a botar os pés!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

quanta coisa para se viver ao mesmo tempo...




Ainda bem que eu acredito em reencarnação. De outra forma estaria perdida e infeliz.
Ao voltar para casa hoje à tarde, de repente tive um insight sobre como é difícil no mundo de hoje, as pessoas controlarem o desejo de viverem de tudo ao mesmo tempo, com medo de estarem perdendo justamente o que poderia ser o melhor, o mais importante para se sentir "no mundo". É inevitável. Ouvindo o rádio, alguém fala de um programa de computador que faz coisas que até Deus duvida e o melhor - já está disponível para cada um de nós - a um preço que promete logo logo ser bem acessível. E aí o cidadão já se sente um pouco infeliz se não puder ter aquele treco de última hora (de última geração nem se cogita mais...).

Então, repito: ainda bem que acredito em reencarnação: peço todos os dias que continue de onde parei. Claro que não vou pedir para não pagar pelos meus pecados, mas juro que não quero nascer numa época "pra trás" (acho que isso está fora do regulamento do após-vida). Gosto de comunicação, seria a mais infeliz das mulheres se morasse num local onde não pudesse trocar informações. Mas aí eu já acho que estou pedindo muito. Depois que eu me for, o ego acaba e nascerei num corpo com outro ego e quem sabe até na pele de um aldeão que nunca viu nada melhor que um radinho de pilha...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Bacalhau a Gomes de Sá






Bacalhau à Gomes de Sá um pouco modificado (mas só um pouco!)



1 k de bacalhau do Porto
4 cebolas grandes em rodelas
4 dentes de alho (grandes) esmagados inteiros
½ pimentão verde em rodelas
2 k batatas
150g azeitonas pretas (portuguesas)
3 ovos cozidos


Coloca-se o bacalhau de molho numa vasilha coberta, com bastante água, na geladeira, com a parte da pele virada para cima, e por 2 ou 3 vezes ao dia troca-se a água. (eu deixei 1 ½ dia e ficou no ponto).


Depois de escorrida a água, cobre-se o bacalhau com água que se colocou a ferver e deixa-se nessa água quente por 20 minutos (fora do fogo). A seguir, escorre-se a água e tira-se a pele e todas as espinhas. O bacalhau deve ficar em lascas grossas, brilhantes (esse é o legítimo). Cobre-se com leite bem quente (usei 1 ½ l) e deixa-se de molho por 1 ½ a 2 horas).


Em uma travessa de ir ao forno (usei uma panela de barro) deita-se 300 ml de azeite extra virgem (pode misturar 200 ml de azeite e 100 ml de oleo de canola) e refoga-se a cebola, o alho e o pimentão.


Cozinha-se as batatas com casca, espera esfriar e corta em rodelas de 1 cm. Coloca-se as batatas mais as lascas de bacalhau que se retiram do leite, na travessa onde o refogado já deve estar pronto. Coloquei também as azeitonas (pode-se reservzr algumas para enfeitar no final)


Mistura-se e coloca-se no forno, por 10 a 15 minutos, regando com um fio de azeite.


Serve-se na própria travessa com azeitonas portuguesas e rodelas de ovo cozido. Joga-se um fio de azeite por cima, na hora de levar à mesa. Pode-se enfeitar com raminhos de salsa.


(Eu fiz algumas modificações a partir da receita original, como sempre, para que fiquem mais a meu gosto. O Sr. Gomes de Sá que me perdoe!)


Para acompanhar, apenas arroz branco e uma salada de folhas. E, é claro, um bom vinho fino tinto seco, de preferência português!







domingo, 2 de janeiro de 2011

Pimentão Vermelho em Conserva

Aproveite agora que o pimentão vermelho está mais barato.

2 kg de pimentão vermelho

5 a 6 dentes de alho (grandes)

vinagre de arroz, azeite bom, sal

Leve os pimentões a assar, sem lavá-los, inteiros, ao forno, em uma assadeira

Quando ficarem murchos e com alguns pontos escuros, desligue o forno, espere esfriar e tire as peles e sementes, cortando em tiras.

À parte faça um molho com 5 a 6 dentes de alho (grandes) picados no processador. Junte azeite bom e vinagre de arroz até encharcar os pimentões. Sal a gosto.

Guarde numa vasilha ou vidro e deixe apurar.

Delicioso para acompanhar torradas ou pão integral. Fica ótimo para acompanhar qualquer prato.